e-revista Brasil Energia 493

74 Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 hidrogênio Pelos cálculos do dirigente, os 4 GW que podem ser disponibilizados para os projetos equivalem à cerca de R$ 80 bilhões em investimentos de hidrogênio verde, com a criação de 30 mil empregos. “Se os pareceres vão para grupos que não têm condição nenhuma de tomar decisão de investimento no curto prazo, o país deixa de receber os aportes e ainda joga para a conta do consumidor a estrutura ociosa”. Maturidade O projeto da Fortescue, aliás, já conta com vários sinais de maturidade. Em área de 120 hectares arrendada no Pecém, o local está com obras em andamento antes mesmo da decisão final de investimento, com 70 pessoas preparando o site. De acordo com Viga, há quatro empresas de engenharia já contratadas e trabalhando no projeto, que deve estar concluído em julho deste ano. A previsão é, na sequência, passar a engenharia para EPCistas e começar a estruturar financiamento entre janeiro e julho. A tecnologia dos eletrolisadores, e seu fornecedor, está definida também, embora o executivo prefira manter os detalhes sob sigilo. O projeto já conta também com um financial advisor, no caso o Banco Santander, que vai fazer toda a estratégia de financiamento. Da Casa dos Ventos A preocupação com as negativas de acesso à rede pelo ONS, que podem comprometer a conexão dos projetos no prazo considerado necessário pelos investidores, seria um complicador também para o projeto da Casa dos Ventos, que anunciou publicamente ter a intenção de tomar sua decisão final de investimento no fim deste ano. Aliás, a empresa, que desde 2023 tem a francesa TotalEnergies como sócia, com 34% de participação acionária no negócio de energias renováveis de solar e eólica, também caminha para envolver o hidrogênio verde na parceria. Isso porque, segundo informações da Bloomberg, a TotalEnergies está estudando importar hidrogênio verde do projeto do Pecém, para substituir em suas refinarias europeias, até 2030, cerca de 500 mil toneladas de hidrogênio cinza (a partir da reforma a vapor do gás natural) com a importação da amônia verde (o hidrogênio transformado para a forma líquida em reação com nitrogênio removido do ar) gerada pela futura planta da Casa dos Ventos. O projeto da empreendedora brasileira de renováveis no Ceará tem parceria com a Comerc e a TransHydrogen Alliance (THA) e, em todas suas fases implantadas, terá capacidade de até 2,4 GW de eletrólise, produzindo 960 toneladas de hidrogênio por dia, o que possibilitará a produção de 2,2 milhões de toneladas de amônia por ano. Conforme divulgado pelas empresas na época do acordo, que contemplou assinatura de memorando de entendimento, a produção da primeira fase, de 1,2 GW, seria exportada para a Europa por meio do Porto de Roterdã, na Holanda. n

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=