e-revista Brasil Energia 493

Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 75 Mariana Mattos é professora titular da Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde coordena o Laboratório de Tecnologia do Hidrogênio (LabTecH). Escreve na Brasil Energia a cada quatro meses. Mariana Mattos O hidrogênio de baixa emissão de carbono é considerado um pilar fundamental de um sistema energético sustentável. Entre as opções de produção de hidrogênio de forma sustentável, destacam-se a eletrólise da água usando eletricidade renovável (H2 Verde) e a produção a partir de gás natural com captura, utilização e armazenamento do CO2 gerado (H2 Azul). O H2 verde é mais sustentável (menores emissões), mas também mais caro no cenário atual. O H2 azul é, em geral, mais barato, mas causa maiores emissões devido à captura incompleta de CO2 e emissões fugitivas de metano. O custo de produção de hidrogênio renovável hoje está entre 1,5 e 6 vezes maior do que a produção baseada em combustíveis fósseis sem captura de CO2 (H2 Cinza), dependendo da localização. A produção de H2 Azul se baseia no uso de técnicas de CCUS, que compreendem a captura, utilização e armazenamento de carbono (do inglês Carbon Capture, Utilization and Storage), cujo objetivo principal é reduzir a liberação de CO2 para a atmosfera. Nessa definição de CCUS, estão contempladas atividades que vão da obtenção do CO2 de diferentes origens e seu transporte até a destinação final, que pode ser a utilização do CO2 e/ou o armazenamento permanente, tipicamente realizado em formações geológicas. Em todo o mundo, há 50 plantas de CCUS em operação, das quais apenas seis estão associadas à produção de hidrogênio e/ou amônia.2 No Brasil, a Petrobras e seus parceiros no pré-sal apresentam-se como operadores pioneiros de projetos de CCUS em ambiente offshore, sendo o CO2 utilizado na recuperação avançada de óleo, principalmente na Bacia de Santos. No que tange ao custo de produção de H2 Azul, este depende fortemente dos preços da matéria prima e energia (gás natural) e também dos custos dos processos de CCUS. Deve-se levar em conta os custos de captura do CO2, que variam em função da concentração de CO2 nos gases gerados e da tecnologia empregada, os custos de transporte do CO2, que dependem da quantidade transportada e do modal de transporte, bem como os custos do armazenamento do CO2, que é dependente da capacidade de armazenamento da área.3 A implementação das tecnologias de CCUS enfrenta inúmeros desafios. Entre os desafios logísticos, estão a maturidade das tecnologias, que ainda se encontram em estágios iniciais, e a limitação da infraestrutura para o transporte de CO2. Com base em projetos de demonstração existentes, como o Shell Quest no Canadá e H-vision na Holanda, os investimentos de capital necessários para instalações CCUS variam de U$ 600 a U$ 1.200/t CO2/ano, aumentando em 25–30% os custos de produção de hidrogênio. No entanto, esses projetos mostraram que a implementação em larga escala permite reduzir potencialmente os custos em 30–40% em comparação com instalações menores. A análise econômica dos projetos existentes sugere que os custos de produção de H2 Azul podem diminuir para U$ 1,2–2,1/kg quando os preços do gás natural estiverem em U$ 1,4– 6,3/GJ, tornando-o cada vez mais competitivo com a produção de H2 Cinza (U$ 0,7–1,6/kg). Desafios tecnológicos, econômicos e ambientais do hidrogênio azul Continue lendo esse artigo em: energia/desafios-tecnologicos-economicose-ambientais-do-hidrogenio-azul

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