e-revista Brasil Energia 493

Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 89 Ieda Gomes é consultora independente e membro do conselho de administração de empresas internacionais de energia, infraestrutura e certificação. Escreve na Brasil Energia a cada quatro meses. Ieda Gomes Em 2024, a demanda global de gás natural experimentou um crescimento significativo de 2,8%, impulsionado por fatores regionais e setoriais, superando a média de 2% no período 2010-2020, com destaque para a região Ásia- -Pacífico, que respondeu por quase 45% desse incremento, especialmente nos setores industrial e de geração elétrica. ​ Apesar do aumento na demanda, a oferta de GNL cresceu apenas 2,5% em 2024, bem abaixo da média anual de 8% em 2016-2020. Essa desaceleração deveu-se a atrasos em novos projetos e restrições de fornecimento em países como Egito, Trinidad e Tobago e Angola. ​ Eventos climáticos extremos ressaltaram a importância do gás natural na garantia da segurança energética. Tempestades nos EUA, ondas de calor no Brasil, Índia e Colômbia e períodos de baixa geração eólica e solar na Europa (“dunkelflaute”) evidenciaram a flexibilidade do gás como fonte de energia confiável no suprimento de eletricidade.​ No cenário geopolítico, a interrupção do trânsito de gás russo via Ucrânia, a partir de 1º de janeiro de 2025, resultou em uma redução de 40 MMm3/dia no fornecimento para a Europa. Embora não represente um risco imediato para a segurança energética da União Europeia, essa interrupção aumentou sua dependência de importações de GNL, intensificando a competição por suprimentos no mercado global. ​ A proibição imposta pela União Europeia (UE) ao transbordo de Gás Natural Liquefeito (GNL) russo em seus terminais, a partir de março/2025, tem implicações significativas para o mercado de GNL, aumentando os custos logísticos. Os terminais europeus serviam como pontos estratégicos para o transbordo de GNL russo, permitindo aos produtores russos utilizarem navios metaneiros de menor porte ou adaptados às condições árticas, para transportar GNL até a Europa. A partir dos terminais europeus, o GNL era transferido para embarcações maiores, e adequadas para longas distâncias, reduzindo custos operacionais no transporte até a Ásia. As rotas marítimas diretas da Rússia para a Ásia, especialmente através do Ártico, enfrentam desafios significativos, devido às condições climáticas adversas e à presença de gelo durante grande parte do ano. Paralelamente, os EUA consolidaram-se como o maior fornecedor mundial de GNL, com planos de aumentar sua produção em 60% durante o segundo mandato do presidente Trump. Essa expansão fortaleceu a influência geopolítica dos EUA no mercado energético global, oferecendo uma alternativa ao gás russo para a Europa e atendendo à crescente demanda asiática. O Brasil possui nove terminais de GNL em operação, que permaneceram ociosos em 2023 devido à alta disponibilidade de hidreletricidade. Contudo, no final de 2024, a regaseificação aumentou para quase 20 MMm3/dia, particularmente nos terminais da Bahia, GNA e São Paulo, mas ainda muito aquém da capacidade instalada de 140 MMm3/dia. A despeito de uma produção recorde de gás nacional, quase 160 MMm3/dia, a oferta nacional mantém-se em torno de 50 MMm3/dia e não atende a demanda. Mercado internacional de gás tendências e desafios para o Brasil Continue lendo esse artigo em: petroleoegas/mercado-internacional-degas-tendencias-e-desafios-para-o-brasil

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