Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 91 Considerados a ponta de lança dos esforços para a descarbonização do transporte público nas grandes cidades, os ônibus elétricos vivem uma situação paradoxal no Brasil. Ao mesmo tempo em que um número crescente de cidades anuncia planos para a eletrificação de suas frotas, na capital paulista, que conta com o maior número de ônibus elétricos trafegando pelas ruas, o programa de substituição dos ônibus a diesel está patinando, esbarrando em dificuldades. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, já anunciou que não há como garantir o cumprimento da meta, prevista em lei municipal, de substituir metade da frota municipal pelos ônibus elétricos até 2028. De acordo com a SPTrans, a capital conta com uma frota de cerca de 12 mil ônibus, que transportam 2,5 milhões de pessoas por dia. Ao colocar o bode na sala, Nunes afirmou que o programa de eletrificação dos ônibus enfrenta dificuldades na garantia do fornecimento de eletricidade para as garagens das empresas de transporte urbano e também limitações na produção de ônibus elétricos no país. As ameaças ao avanço da eletrificação dos ônibus urbanos em São Paulo são um revés importante para uma cidade historicamente associada à poluição atmosférica. São Paulo tem também um histórico recente de buscas por opções para a descarbonização do transporte urbano, com a adoção pioneira de iniciativas envolvendo o gás natural e o hidrogênio, por exemplo, que, entretanto, não tiveram continuidade. A Prefeitura de São Paulo estima que a substituição de apenas um ônibus a Fonte: NTU EVOLUÇÃO DA FROTA TOTAL DE ÔNIBUS ELÉTRICOS A BATERIA NO BRASIL (2014-novembro/2024)
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