Brasil Energia, nº 494, 27 de maio de 2025 25 Em fevereiro, o Governo do Estado, em conjunto com entidades do agronegócio e do transporte rodoviário, lançou a semente do Projeto Corredores Rodoviários Sustentáveis do Paraná, com o objetivo de substituir o óleo diesel por gás natural veicular (GNV) ou biometano, ou a mistura dos dois gases, nas principais vias de escoamento da produção agropecuária do Estado, bem como nas estradas que fazem a interligação das áreas produtoras com os municípios do interior paranaense, batizadas de microcorredores. O projeto é ambicioso, conforme explica Herlon Goelzer de Almeida, coordenador do programa de Energias Renováveis Sustentáveis do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR - Paraná), órgão da Secretaria de Agricultura do Estado. O programa tem como meta abranger com os corredores 4.586 quilômetros de rodovias estaduais e federais, por onde circulam 80% do transporte de cargas no estado. Essa rede também interliga diretamente 147 municípios, além de outras 159 cidades localizadas em um raio de 20 quilômetros de distância dos corredores. O projeto também inclui as estradas vicinais, que conectam as propriedades rurais aos municípios, batizadas de microcorredores. A expectativa é utilizar o biometano tanto por meio da injeção na rede da Compagás, a concessionária de gás canalizada do Paraná, atendendo à rede de postos que oferecem o GNV, quanto oferecer o biocombustível diretamente para os caminhões nas propriedades rurais ou em postos revendedores das cidades abrangidas. Nas áreas atendidas pela Compagás, mais próximas do litoral, que já compreendem Paranaguá, Curitiba e Ponta Grossa e deverão incluir Londrina e Maringá até 2030, a expectativa é que o diesel seja substituído pelo GNV, isoladamente ou misturado ao biometano. Entre Paranaguá e Londrina, já estão em funcionamento 11 postos de abastecimento de veículos leves e pesados movidos a gás. E novos postos deverão ser implantados neste ano, segundo informações do governo paranaense. Nas demais regiões do Estado, que tão cedo não deverão ser alcançadas pela rede de gás canalizado, a ideia é promover o biometano como alternativa. Almeida lembra que existe um volume de trânsito de caminhões enorme entre as propriedades rurais e os municípios, que levam insumos e materiais para os produtores rurais e trazem a produção na viagem de volta. “Para o alcance do Oeste, Sudoeste, Centro e Noroeste, será importante a conversão de frotas diesel para gás e biometano, criando demanda que viabilize a infraestrutura de postos e de produção local”, disse Almeida. “As novas rotas devem respeitar as demandas, permitindo implantar redes isoladas e a criação de novos polos de consumo”. O projeto é movido por objetivos de ordem ambiental e econômica. Um dos objetivos do governo paranaense é contribuir para promover a descarbonização do transporte rodoviário de cargas. Produzido a partir do biogás gerado pelos rejeitos da suinocultura e avicultura principalmente, o biometano proporciona uma redução de 95% das emissões de dióxido de carbono na atmosfera, em comparação com o óleo diesel. Além disso, evita a emissão do metano produzido a partir das fezes dos ani-
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