26 Brasil Energia, nº 494, 27 de maio de 2025 combustíveis mais, normalmente depositado nas propriedades rurais, que tem um impacto mais nocivo do que o CO2 para o aquecimento global. Outro benefício considerado é oferecer uma destinação apropriada para os dejetos dos animais, que, uma vez acumulados, podem contaminar o solo e os aquíferos. O Governo do Paraná pretende, com este projeto, preparar-se para o crescimento da demanda mundial por proteína animal. “Para que a produção de proteínas animais continue crescendo no estado é preciso tratar os dejetos das criações”, lembra Almeida. Ao conciliar interesses dos produtores rurais com os transportadores, há também a expectativa de se criar um círculo virtuoso, com o compartilhamento de benefícios. O Paraná é o segundo maior produtor de suínos do país, com uma produção de 12 milhões de cabeças por ano, ficando atrás apenas de Santa Catarina. O Estado já conta com cerca de 600 plantas de biogás, das aproximadamente 1.500 existentes no país, segundo dados do governo paranaense. Para os produtores rurais, o projeto pode criar uma demanda que contribua para a adoção de usinas de tratamento de dejetos, resolvendo um passivo ambiental e proporcionando uma nova fonte de renda. Além disso, do processo de produção do biometano sobra também o biofertilizante, que pode ser utilizado pelo produtor ou ser comercializado. Para os transportadores, o uso do biometano pode contribuir para tornar mais eficiente o transporte, além de oferecer a oportunidade de descarbonização da atividade e, de quebra, criar uma alternativa para o diesel, sujeito aos humores do mercado internacional do petróleo. Segundo Almeida, desde fevereiro, quando foi assinado um termo de compromisso, as Secretarias de Agricultura e de Planejamento do Estado, a Compagas, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar) estão realizando o levantamento de informações que alimentarão uma matriz de ações, a ser utilizada como base para o planejamento de medidas a serem adotadas pelo programa. Entre as ações que deverão ser adotadas está o financiamento da conversão de caminhões a diesel para o gás veicular e biometano. A expectativa é utilizar, para isso, recursos do Fundo Clima do BNDES. O projeto deverá envolver também a melhoria das condições dos microcorredores, com alargamento e recapeamento das estradas e modernização de pontes. A expectativa do governo paranaense é que os corredores e microcorredores estejam operando plenamente em um prazo de 15 anos. Quem é fonte nesta matéria HERLON GOELZER DE ALMEIDA, coordenador do programa de Energias Renováveis Sustentáveis do IDR - Paraná EDSON PACHECO, vicepresidente da Assuinoeste Toledo
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