Brasil Energia, nº 494, 27 de maio de 2025 47 poderá monitorar a degradação dos dispositivos e como a mudança climática está afetando sua infraestrutura. “Vamos ter um modelo para avaliar os efeitos das condições climáticas em qualquer região”, explica a superintendente, deixando claro que a ideia é replicar a avaliação para outras concessões do grupo. Uma das vantagens será programar o desligamento das instalações no tempo mais adequado para a manutenção. Lucas Poersch, gerente de Vendas na Prysmian, especialista em cabos para distribuição e transmissão, sabe que as concessionárias vão continuar sendo afetadas e por isso aposta em mais tecnologia para combater os eventos severos. A primeira delas é atuar no escopo 3 da redução de emissão de CO2 (participação dos fornecedores no esforço das empresas), substituindo cabos tradicionais de rede por produtos sustentáveis. Ele conta que as concessionárias locais têm testado materiais de origem vegetal, como cana de açúcar, em vez de componentes à base de petróleo. Tecnicamente idênticos aos convencionais, os cabos recobertos com materiais sustentáveis emitem até cinco vezes menos CO2 em sua confecção. O desenvolvimento de ligas mais resistentes, caso da 1120, é outra possibilidade de aplicação em cabos de transmissão, mas também tecnicamente viáveis em redes de distribuição, na avaliação do especialista. Os revestimentos cerâmicos igualmente fazem parte do escopo de opções e cabos com esse tipo de material ofereceriam ganhos importantes na dissipação térmica, permitindo o aumento da potência transmitida por uma mesma seção. “É ideal para projetos de repotencialização de linhas antigas, evitando a necessidade de troca completa da infraestrutura”, defende. Assim como Campos e Beatriz, Poersch destaca que a adoção de novas tecnologias sempre vai envolver o aspecto regulatório. “Os cabos com revestimento cerâmico também contribuem para a redução de perdas elétricas, pois trabalham com menor aquecimento”, exemplifica. “Mas como as perdas em média tensão são calculadas e não medidas, o uso desse tipo de tecnologia não é valorizado adequadamente na remuneração atual”, finaliza. n Esta matéria é parte integrante da Série Especial “Novos Modelos e Tecnologias em Energia”, produzida pela Brasil Energia com o apoio de Quem é fonte nesta matéria MARCOS CAMPOS, diretor Geral da EDP São Paulo BEATRIZ TAVARES, superintendente de Operação e Manutenção da Argo Energia
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