e-revista Brasil Energia 494

Brasil Energia, nº 494, 27 de maio de 2025 49 Dois projetos no Brasil buscam desenvolver e dominar tecnologias que resultem na produção do petróleo sintético, batizado pelos cientistas de bio-syncrude. Contando ambos com apoio de instituições alemãs, os projetos têm como foco, pelo menos a princípio, oferecer uma rota tecnológica para a produção do combustível sustentável para aviação (Sustainable Aviation Fuel – SAF). Um dos projetos está sendo desenvolvido desde junho de 2024 na Itaipu Binacional, por meio de parceria com o Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás) e o projeto H2Brasil. O projeto contempla o desenvolvimento de uma planta-piloto para a produção de petróleo sintético a partir de biogás. Também contando com o apoio do governo alemão, o byo-sincrude está sendo objeto de pesquisas conduzidas pelo Instituto de Química (IQ) da Universidade Federal de Goiás (UFG), por meio de parceria envolvendo Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, através da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit GmbH (GIZ). O projeto conta ainda com o apoio da Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural (RTVE). O bio-syncrude é um óleo sintético renovável obtido a partir de fontes renováveis, como resíduos orgânicos, agrícolas e florestais ou o biogás. Planta piloto em Itaipu Inaugurada em junho do ano passado, a planta piloto construída na área da Itaipu Binacional contou com aporte de 1,8 milhão de euros do governo alemão, por meio do Ministério Federal da Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha (BMZ). O projeto binacional não tem como objetivo derivar para a produção comercial do petróleo sintético. A planta piloto tem como meta permitir a simulação das condições operacionais reais, identificando gargalos técnicos, avaliando a viabilidade econômica e garantindo a segurança da operação com menor risco financeiro. Como na planta piloto o bio-syncrude é desenvolvido a partir do biogás, o processo de produção ocorre por meio de duas etapas principais. Na primeira etapa, o biogás passa por um processo de reforma a seco que visa converter o metano e o dióxido de carbono em gás de síntese, que é uma mistura de hidrogênio (H2) e monóxido de carbono (CO). Na segunda etapa, o gás de síntese passa por reator de síntese de Fischer-Tropsch, que realiza a polimerização dos gases em cadeias de hidrocarbonetos. Nessa etapa, é gerada uma mistura de compostos, como parafinas, olefinas e álcoois, resultando em um líquido oleoso conhecido como bio-syncrude. Esse óleo sintético poderá ser posteriormente refinado para produzir combustíveis renováveis, como diesel verde, gasolina sintética e querosene de aviação sustentável (SAF). “O bio-syncrude é, portanto, uma alternativa renovável para o petróleo, pois representa uma rota promissora para a produção de combustíveis líquidos de baixo carbono, especialmente quando oriundo de fontes como o biogás, que aproveita resíduos e reduze emissões de poluentes”, diz a engenheira ambiental Alessandra Freddo, participante do projeto. Além de serem gerados a partir de fontes renováveis, como é o caso do biogás, os combustíveis sintéticos pro-

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