Brasil Energia, nº 494, 27 de maio de 2025 97 Wagner Victer é engenheiro, administrador, ex-secretário de Estado de Energia, Indústria Naval e do Petróleo, e ex conselheiro do CNPE. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Wagner Victer Retornei recentemente da tradicional Offshore Technology Conference (OTC) em Houston, no Texas, e a pergunta que mais recebi foi sobre as minhas percepções do evento em relação ao momento, em especial em função do novo governo americano. Afora a curiosa condução de esforços por palestrantes nada sutis quanto à nova dualidade da denominação entre “Golfo do México” e “Golfo Americano”, a edição deste evento — considerado o mais tradicional do mundo para a indústria de petróleo — trouxe alguns pontos importantes: O primeiro ponto é a continuidade do reconhecimento da Petrobras como um dos motores da indústria offshore mundial. A presença da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, lotando a sessão de abertura, e a forte audiência nos painéis com apresentações da empresa, que tomavam todas as salas, deixou essa referência bastante patente. Além disso, mais uma vez um brasileiro, José Formigli, foi escolhido como a personalidade a ser homenageada — uma marca do evento que orgulhou todos os brasileiros e a Petrobras, onde ele construiu sua carreira. A baixa participação de executivos das principais oil companies gerou contraste com edições passadas. Nesta edição, além da estatal brasileira, a maioria das internacionais sequer montou seus estandes na exposição, que, aliás, também ficou pouco expressiva em comparação com outros eventos no país, como a Rio Oil & Gas — atualmente ROG.e —, que já possui uma área de exposição mais ampla, atraindo um público muito maior, o que a torna, apesar da frequência bienal, um evento maior que a OTC. O interesse pelos investimentos no Brasil como epicentro das atividades offshore — não só pelas principais bacias produtoras (Santos e Campos), mas também pelas novas fronteiras, como a Margem Equatorial, e por novas bacias, como Pelotas — ficou bastante patente. Nesse cenário, muitas empresas enxergam o Brasil como um polo econômico de suporte à própria Margem Equatorial em países vizinhos. Apesar de não se tratar de um evento que se “envergonhou” do petróleo — como algumas iniciativas do setor que até mudaram de nome — foi possível detectar discussões em painéis sobre fontes não convencionais e, até então, não sinérgicas ao setor, como a energia nuclear (a partir do uso dos small modular reactors – SMRs), a geotermia e sistemas de armazenamento de energia. A referência ao Brasil também ficou ressaltada quando o evento “Doing Business with Petrobras” lotou — com ampla fila de espera — um grande hotel, onde 70 % dos participantes nunca haviam feito negócios no país e buscavam efusivamente parceiros locais. Outro aspecto positivo foi a elevada participação do país, com muitas delegações; neste contexto, a pouca presença das delegações de países árabes, indianos e chineses contrasta com o movimento histórico observado no passado. Por parte do Brasil, além das delegações das chamadas petroleiras — em especial da Petrobras —, destacou-se o trabalho feito pela Apex, consolidado em um estande central, com a participação de empresas públicas como EPE, Sebrae e Nuclep, e de entidades importantes como Firjan, Onip, IBP, Abimaq, Sinaval, Abemi, Abeam e Abespetro, entre outras, sempre com o suporte da Câmara Brasil-Texas (Bratecc). A OTC como um termômetro do mercado offshore Continue lendo esse artigo em: petroleoegas/a-otc-como-um-termometrodo-mercado-offshore
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