16 Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 Wagner Victer é engenheiro, administrador, ex-secretário de Estado de Energia, Indústria Naval e do Petróleo, e ex conselheiro do CNPE. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Wagner Victer A Energia como pauta no Brics Desde o início deste ano, o Brasil assumiu a presidência rotativa e temporária do Brics, que culminará com um grande encontro da cúpula nos dias 6 e 7 de julho, na cidade do Rio de Janeiro, e contará com a presença de dezenas de chefes de Estado, não só dos atuais 11 países-membros e países-parceiros, mas também de diversos países convidados, entre eles alguns que pretendem futuramente se incorporar a esse bloco. Na prática, o Brics é um grande grupo de cooperação econômica que surgiu em 2009 com quatro países - Brasil, Rússia, Índia e China - e que, a partir de 2011, passou a se denominar Brics com a entrada da África do Sul. O objetivo de sua concepção era permitir que países fora dos tradicionais blocos regionais, mas com elevada representatividade em suas regiões, pudessem agir em articulação com diversos fóruns e com uma agenda internacional capaz de afetar a economia global, realizando abordagens em seus interesses comuns. Inicialmente, essa articulação se concentrava basicamente em economias do Hemisfério Sul, razão pela qual surgiu a expressão “Sul Global”. Atualmente, o Brics é composto por 11 países-membros, que, a partir da Cúpula de Joanesburgo em 2023, optaram pela incorporação de seis entrantes: Etiópia, Egito, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Diversos outros países demonstraram interesse em participar como “países-parceiros” na Cúpula de 2024, realizada em Kazan, na Rússia, destacando-se que, até maio deste ano, apesar de participar das reuniões preparatórias, a Arábia Saudita ainda não havia aderido formalmente como país-membro do Brics. Dentre os países-parceiros estão atualmente: Belarus, Bolívia, Cuba, Cazaquistão, Malásia, Tailândia, Uganda e Uzbequistão. Embora, inicialmente, os pilares estivessem focados basicamente em “política e segurança”, “economia e finanças” e “sociedade civil”, o tema energia está cada vez mais presente nessas discussões, especialmente nessa próxima cúpula no Rio, em função das questões estratégicas que se tornaram mais evidentes com os últimos acontecimentos globais, como a pandemia, os conflitos armados e a questão climática, potencializada pelo próprio posicionamento do atual governo americano em relação a acordos climáticos do passado. Um estudo especial, muito interessante, apresentado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) e intitulado “Brics+ e o Setor de Energia” traz números extremamente relevantes sobre o tema. Nessa linha, podemos observar a discussão climática entre os países-membros originários do Brics, que, segundo fontes da IEA de 2024, apresentam na matriz energética baseada em carvão as seguintes participações: China (61%), Rússia (16,5%), Índia (45%) e África do Sul (70,9%), contrastando com o Brasil, que registra apenas 4,4%, o que ilustra bem como se comporta a transição energética para uma matriz de menor emissão de carbono nesses países. No cenário da produção de petróleo, o Brics ocupa posições de destaque no ranking do Energy Institute: Rússia (2º), Arábia Saudita (3º), China (6º), Irã (7º), Brasil (8º) e Emirados Árabes Unidos (9º). Ou seja, dos dez maiores países produtores de petróleo do mundo, seis são membros do Brics, sendo todos exportadores, com exceção da China. Continue lendo esse artigo em: brasilenergia.com.br/a-energia-comopauta-no-brics
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