e-revista Brasil Energia 495

Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 15 Essa é uma via de mão dupla… O gás é interessante, porque não se investe porque não tem mercado e não tem mercado porque não se investe. Estamos tentando romper esse ciclo vicioso, mas isso leva um tempo. Os projetos são de longa maturação. Estamos efetivamente enfrentando essa questão. O Brasil está com uma reinjeção alta, de cerca de 90 milhões de m3 por dia de gás. Agora vai diminuir com o Rota 3 (gasoduto que interliga o pré-sal à costa fluminense). Com o Rota 3, estamos produzindo 12 milhões de m3 por dia e a capacidade é de chegar a 18 ou 20 milhões de m3 por dia. As três rotas juntas têm capacidade de chegar a 44 milhões de m3 por dia. Mas tem questões de fluxo, de mercado, de limitação de investimento nas linhas de transmissão. Não adianta produzir se não tiver para onde escoar, se não tiver sido feito um esforço de desenvolvimento de mercado. É uma coisa que tem que ser feita muito junto e de forma muito bem planejada. A caneta não resolve tudo. Esse aumento da oferta vai baratear o preço? Eu confio na lei da oferta e da procura. O pior de tudo é dinheiro sobre a mesa. O Brasil não tem dinheiro para isso. Investir num projeto que não vai ser útil porque a gente não desenvolveu mercado ou porque tem restrição de escoamento é o pior dos mundos. A gente precisa ter garantias de que a cadeia está minimamente segura. Quando você diz que a caneta não resolve tudo está se referindo ao decreto do Gás para Empregar? Estou me referindo a tudo que não tem perfeito encadeamento de negócios. Até uma canetada nossa mesmo. Eu posso, de uma hora para outra, querer aprovar um projeto. E a gente vê que ele não tem uma sequência lógica necessária para produzir o gás e entregar do outro lado. É uma canetada também, que deixa dinheiro sobre a mesa. Temos que tomar muito cuidado com a nossa ansiedade. O mais rápido possível, algumas vezes, não é o mais eficaz possível, o mais rentável possível e benéfico para a sociedade como um todo. n ASSISTA a vídeo-entrevista completa no nosso canal do YouTube. Clique na imagem.

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