14 Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 entrevista Magda Chambriard Pensando na estratégia no exterior, por que investir na Índia, um país sem tradição na produção de petróleo? Nós recebemos o ministro do petróleo da Índia, que veio nos dizer que o que fizemos no Brasil em termos de exploração e produção não tem precedente no mundo e que ele gostaria que a gente fosse à Índia olhar oportunidades. Estamos estudando blocos da nona rodada que já foram concedidos, estamos analisando e pretendendo participar da 10a. rodada. É uma nova fronteira arriscada, mais do que a África. É uma nova fronteira onde a gente tem menos experiência, porque na África a gente tem muita experiência por conta da proximidade geológica. A Índia, de fato, é uma nova fronteira. O país fez um movimento interessante, porque ele reviu as participações governamentais e está ofertando blocos muito grandes, de 10 mil km2. Só para efeito de comparação, um bloco no Brasil em águas profundas tem 720 km2. Quando a gente vai para uma área menos conhecida, como é o caso da Índia, os blocos precisam ser maiores. Essa é a lógica exploratória. Achamos que a Índia fez o trabalho de casa correto. A Índia tem cerca de 6 milhões de capacidade instalada de refino e produz cerca de 800 mil barris por dia de petróleo. Esse é o tamanho da sua necessidade de importação. Estamos exportando para a Índia e indo lá para ajudá-los a produzir, de olho no mercado consumidor. Como estão as negociações na África? A gente fez uma manifestação de interesse para a Costa do Marfim. Ficamos felizes com a pronta resposta e agora estamos negociando as condições de contrato. Eles têm blocos em águas profundas e ultra profundas. É isso que estamos indo fazer lá. Mas, de novo, tudo isso está acontecendo ao passo de uma transição energética justa. A gente precisa do retorno do E&P para garantir a pesquisa e o desenvolvimento que vai ancorar a transição energética justa. É preciso reforçar a ideia de que exploração e produção de petróleo e gás não são incongruentes com a transição energética. Ao contrário, ela é pilar para isso. E o gás natural entra firme na transição energética. Qual a estratégia agora? Quando a gente chegou, se deparou com projetos de produção com plataformas de grande porte em Búzios, que será o maior campo do Brasil, sem capacidade de exportação de gás para a terra. A capacidade de produção de gás da Bacia de Santos é, pelo menos, quatro vezes maior do que a de Campos. Olhando essa capacidade de gás e que quatro grandes plataformas foram construídas sem possibilidade de exportação de gás, pensamos que tínhamos que fazer algo muito diferente. Vocês ouviram falar do projeto Búzios 12. Ele está em carteira, está sendo aprimorado. É um projeto que visa ser um hub de gás em Búzios. Estamos fazendo plataformas com exportação de gás. Estamos investindo nas linhas de escoamento. Em projetos como SEAP I e II. Metade deles é gás. Mas olhando isso com muito cuidado e alertando muito que todo esse investimento só será possível se tivermos mercado para esse gás.
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