e-revista Brasil Energia 495

Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 27 por fontes não flexíveis ou não despacháveis. “O crescimento vertiginoso e recente veio de fontes renováveis, como eólica e solar. Isso mudou a curva de demanda líquida de energia”. Para Sales, trazer o armazenamento para o sistema agrega flexibilidade ao Operador Nacional de Sistema (ONS) e também ajuda a enfrentar situações como eventos climáticos extremos. A adoção, tanto de UHRs como de baterias, no entanto, tem uma série de barreiras. O especialista do Acende Brasil lista o atraso na regulação e a incerteza sobre os leilões de reserva dos sistemas de armazenamento por baterias (BESS). O licenciamento ambiental é crítico, principalmente para as UHRs. “Embora o processo seja muito simplificado em relação às usinas hidrelétricas convencionais, por ser um circuito fechado, ainda é um ponto a ser considerado. A regulação deve levar isso em conta para dar transparência e clareza aos empreendedores”, diz Sales. Os temas levantados por ele são ressaltados no relatório já citado e uma eventual decisão política de retomar a expansão das UHRs exigirá a atualização do mapeamento de locais adequados, considerando topografia, geologia, hidrologia, custos e, principalmente, as condições atuais de uso e ocupação da região. Em termos de maturidade comercial, o armazenamento por ar comprimido (CAES, da sigla em inglês) é a tecnologia que chama a atenção por ser a mais madura depois das UHRs e do BESS. Segundo o relatório do Acende Brasil, a questão é que ela não tem aplicação substancial em nenhum lugar do mundo e está em fase inicial de demonstração comercial. Para Simonaggio, o CAES, assim como as UHRs e o BESS teriam que ser avaliados em comparação com as alternativas de reforço na infraestrutura elétrica, como linhas de transmissão e subestações. No caso do BESS, por exemplo, ele lembra a bateria é um elemento de rede custoso por si só e, se for levada em conta que ela representa uma carga permanente no sistema, o custo aumenta ainda mais. “Quando se pensa em instalar baterias num ponto da rede elétrica para aumentar a capacidade dela, devemos sempre avaliar se o simples reforço das linhas de transmissão e de subestações não seria mais barato”, explica. “Na minha experiência, nunca consegui viabilizar economicamente as baterias quando comparei os custos delas com os de reforços, que sempre foram sensivelmente mais baratos”. n Quem é fonte nesta matéria CLÁUDIO SALES, presidente do Acende Brasil SIDNEY SIMONAGGIO, consultor Esta matéria é parte integrante da Série Especial “Novos Modelos e Tecnologias em Energia”, produzida pela Brasil Energia com o apoio de

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