e-revista Brasil Energia 495

Até dezembro de 2026, o sistema elétrico poderá receber mais 19.960 MW de potência nova. Desse total, 26% (5.211 MW) serão provenientes de novas usinas térmicas a gás natural, óleo e biomassa. Somente este ano, estão entrando em disponibilidade mais 12 novas termelétricas, que garantirão um adicional de 2.912 MW de energia, dos quais 57% serão de uma única usina: a GNA II, antiga GNA Porto Açu III, no Rio de Janeiro, operada a gás natural. Outra grande UTE a gás, a Novo Tempo Barcarena, no Pará, deve entrar no grid com 629 MW até o fim deste ano. As informações são do sistema Ralie de acompanhamento da expansão da oferta de geração da Aneel. Com todo esse potencial sendo finalizado, o ONS recomendou ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) a antecipação do início do suprimento de energia pelos empreendimentos contratados no Leilão de Reserva de Capacidade na forma de potência (LRCAP) de 2021, a serem operativos a partir de agosto de 2025. A intenção da ONS é reforçar a garantia de atendimento de potência no segundo semestre deste ano depois do cancelamento do LRCAP de 2025. Apesar da recomendação e da decisão do CMSE de autorizar a antecipação do início do suprimento de energia pelas usinas novas, o Operador assegura que o cenário geral é de pleno atendimento das demandas de energia à sociedade brasileira. Mas ressalta que a partir de julho a estimativa é de redução dos níveis de armazenamento em alguns subsistemas e que a política operativa da empresa prioriza a preservação dos recursos hídricos, o que torna as usinas térmicas fundamentais para o fornecimento de energia nesse contexto. A antecipação da produção solicitada pelo ONS e CMSE já começa a acontecer. Prevista para iniciar a operação comercial somente em agosto, a UTE GNA II, da Gás Natural Açu, a maior usina a gás natural do país, já está em plena atividade dois meses antes do previsto. Suas quatro unidades geradoras, que somam 1.673 MW de capacidade instalada, demandaram investimentos de R$ 7 bilhões para viabilizar a segunda usina termelétrica no Porto do Açu, em São João da Barra no Rio de Janeiro. No local já funciona, desde 2021, a UTE GNA I, de 1,3 GW. Assim como a UTE GNA I, a UTE GNA II funciona em ciclo combinado com três turbinas a gás e uma turbina a vapor, todas da Siemens Energy. A subestação da UTE GNA II se conecta ao SIN por meio de uma linha de transmissão de 500 kV. As térmicas de Porto do Açu somam 3 GW de capacidade instalada, consolidando a posição da GNA como maior complexo de geração a gás natural da América Latina, interligadas a um terminal de Regaseificação de GNL de uso privado de 21 milhões m3/dia. Dessa forma, a produção de energia desse complexo é suficiente para atender cerca de 14 milhões de residências. De acordo com o CEO da GNA, Emmanuel Delfosse, em conversa com a Brasil Energia, o plano agora é avançar na construção de um hub de gás e energia com novas usinas e conexão à malha de gás. Ele conta que estão previstos investimentos totais na ordem de US$ 2 Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 55

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