74 Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 nuclear de, segundo dados da Associação Nuclear Mundial (WNA, na sigla em inglês). Para o presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Atividades Nucleares (Abdan), Celso Cunha, a resistência de setores ambientalistas à tecnologia nuclear está em franco declínio. Ele chamou de “rótulos do passado” os argumentos contra o uso pacífico da fonte, focados principalmente na segurança das instalações. Esses argumentos ganharam força em 11 de março de 2011, quando um terremoto de 9,1 graus na escala Richter, seguido de tsunami de 15 metros de altura, basicamente destruiu a central nuclear Fukushima Daiichi, no Japão. O acidente provocou o derretimento de três dos seus quatro reatores, levando pânico à população japonesa, eternamente traumatizada pelos efeitos das bombas de Hiroshima e Nagasaki e ao mundo por extensão. Posteriormente, após os esforços japoneses para controlar os riscos decorrentes do impacto da tsunami sobre o complexo, os dados oficiais constataram, segundo a WNA, que nenhuma das 19.500 mortes ocorridas em consequência do desastre geológico se deu por radiação e que não foram constatadas doenças posteriores originadas pelo vazamento de combustível nuclear. Ainda que o trauma e o medo decorrentes devam permanecer por décadas ou séculos na memória da sociedade japonesa e do mundo, a constatação de que o temido impacto nuclear foi controlado sem consequências mais graves e a necessidade de fontes limpas de base para a transição energética levaram o Japão não só a retomar a produção de energia nuclear em fevereiro de 2023 como a ser um dos signatários do documento da COP28 no final do mesmo ano. De acordo com dados da WNA, o Japão possui atualmente 33 reatores nucleares em condições operacionais, totalizando 31.679 MW de capacidade (6% da capacidade instalada de energia elétrica do país), além de dois em construção, com 2.653 MW de capacidade. Os reatores existentes vêm sendo reativados paulatinamente e no final do ano passado foi religado, por exemplo, um dos reatores da Central Nuclear de Onagawa, a apenas cerca de 60 km de Fukushima. O caso japonês é emblemático, dado o tamanho e a relativa proximidade do acidente. Mas a confiança do mundo na segurança das instalações nucleares, expressa em projetos de novos reatores ou na reativação de outros já existentes, cresce a cada ano, apesar dos acidentes de Fukushima (2011), Cher-
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