Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 75 nobyl, na Ucrânia (1986), e Three Mile Island, EUA (1979) continuarem na memória de todos. A usina norte-americana, foco do mais leve dos três acidentes, tem retorno à operação esperado para 2028, quando toda sua produção de 830 MW será fornecida à Microsoft. A empresa está patrocinando a reativação da usina para obter a exclusividade da energia gerada para seus datacenter (DCs) devoradores de energia. A encruzilhada da Alemanha e da Itália De acordo com os dados da AIEA, existem atualmente no mundo 61 reatores em construção em 15 países, totalizando 64 GW de capacidade adicional de geração de energia termonuclear. A China, que não figura entre os 28 países signatários do documento da COP28 lidera a estatística, com 28 usinas em construção, segundo Chudakov, ou 25, de acordo com dados de julho do ano passado do site Statista (https://www.statista.com/statistics/513671/number-of-under-construction-nuclear-reactors-worldwide/). Seja qual for a fonte, o dado não inclui outras dez usinas nucleares convencionais (reatores entre 1.000 e 1.400 MW de capacidade) que o governo chinês acrescentou ao seu portfólio de projetos no final de abril deste ano, com investimentos adicionais previstos de US$ 28 bilhões, segundo informação de Cunha, da Abdan. Sendo que a China já possui 57 GW de geração nuclear em operação, segundo a WNA. OS outros países que ocupam os cinco primeiros lugares da lista do Statista de reatores em construção - Índia, Turquia, Egito e Rússia - também não subscreveram o compromisso da COP28. Segundo os dados, a Índia está construindo sete reatores e os outros três países, quatro cada um. Ou seja, são pelo menos 44 das 61 obras em andamento que correm por fora do compromisso da COP. Muitos acompanham também o posicionamento da Alemanha e da Itália, dois países que optaram por banir a geração nuclear dos seus territórios, a primeira após Fukushima e a segunda lá em 1987, logo depois de Chernobyl. Ambas seguem fiéis ao compromisso assumido, mas cada vez mais indicando a intenção de revê-los. A renúncia italiana foi referendada em consulta popular realizada logo depois do acidente da Ucrânia, na época, parte da União Soviética. Em juCanteiro de obras inacabado da usina nuclear de Angra 3 Foto: Chico Santos
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