e-revista Brasil Energia 495

76 Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 nuclear nho de 2011, três meses após Fukushima, outra consulta resultou em previsíveis 94% da população italiana a favor de se manter distante da geração nuclear. O governo italiano, pressionado pelas dificuldades de descarbonizar sua matriz elétrica muito centrada em geração fóssil (gás natural, principalmente), trabalha para reverter o cancelamento da fonte nuclear em nova consulta, ainda não marcada. Quando e se forem votar os italianos terão um poderoso argumento do lado do sim. A Alemanha, que desligou sua última usina termonuclear em 2023, cada vez mais cogita rever a decisão tomada sob pressão do poderoso Partido Verde, logo após o desastre natural japonês. Agora, igualmente e até mais pressionada que a Itália para baratear e limpar sua matriz elétrica, a Alemanha volta a enxergar a geração nuclear como uma perspectiva possível. Pesquisa divulgada pela empresa de marketing Innofact no começo de abril deste ano mostrou que 55% das pessoas consultadas se disseram favoráveis à reativação da fonte no país. Quando tomou a decisão de banir a geração nuclear o país tinha 19 reatores em operação. Uma mudança de sinal, principalmente na Alemanha, é vista por especialistas como a virada de chave definitiva para encorajar muitos outros países a abraçar de vez a alternativa nuclear como uma das principais rotas para a descarbonização. Um dos grandes obstáculos, especialmente para países mais pobres, é o elevado investimento exigido para a construção de uma UTN convencional, associado ao longo tempo de construção, geralmente entre oito e dez anos em obras que não sofram interrupções. Um dos grandes motivos para o encarecimento das UTNs é o aumento dos custos relacionados à segurança que tendem a crescer a cada ocorrência de acidentes. Mas, segundo Cunha, da Abdan, até este senão começa a cair por terra. A China, mais uma vez na vanguarda da mudança, teria conseguido reduzir seu tempo de construção de um reator convencional para 56 meses, ou menos de cinco anos, dentro das normas internacionais de segurança. Usina Akademik Lomonosov, da Rússia, instalada sobre plataforma flutuante, tem 100 MW Foto: Divulgação

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