Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 77 Esse esforço estaria refletido no custo do pacote de dez novos reatores anunciado em abril, com investimento total de US$ 28 bilhões, ou seja, US$ 2,8 bilhões (aproximadamente R$ 15 bilhões ao câmbio atual) por reator. A francesa EDF, maior geradora nuclear da Europa, teria se comprometido a construir em 70 meses, o que estaria sendo considerado um grande avanço em termos ocidentais. O futuro e os SMRs As projeções e construções em curso se baseiam por enquanto na tecnologia de reatores convencionais de fissão nuclear. O ciclo da fusão nuclear, que não gera resíduo radioativo, ainda está longe de ser dominado com segurança. Mas outra rota começa a figurar na revolução da tecnologia do átomo: a construção de pequenos reatores modulares, os SMRs. Por enquanto, o único SMR em operação no mundo é o Akademik Lomonosov, da Rússia, de 100 MW distribuída em dois reatores, instalados sobre uma plataforma flutuante em Pevek, Península de Chukotka. No entanto, segundo Chudakov, da AIEA, existem no mundo perto de uma centena de projetos em gestação, não só para uso em geração de energia elétrica, mas para várias outras aplicações, como dessalinização de água do mar e aquecimento. A Rússia, que saiu na frente com o gerador flutuante, promete colocar em operação seu primeiro SMR em terra entre 2028 e 2029. Ele terá dois módulos de 110 MW cada e está sendo construído na região ártica de Yakutia. Mas China e Estados Unidos seguem no mesmo passo. Os chineses correm com seu projeto ACP100, de SMRs de 125 MW de capacidade, prometendo colocar em operação até 2028 um total de 800 MW. E a estadunidense Holtec acelera para viabilizar sua Missão 2030, que prevê colocar em operação naquele ano seu SMR 300. Filipinas e Indonésia projetam o uso de reatores modulares para abastecer ilhas remotas de seus respectivos arquipélagos, hoje atendidas por geração a diesel. O mesmo ocorre com o Brasil onde os defensores do uso da energia nuclear sonham usar SMRs para substituir sistemas isolados a diesel em centenas de localidades da Amazônia. O SMR é também a aposta da Diamante Energia, concessionária do complexo Jorge Lacerda (Santa Catarina) de geração a carvão (857 MW), para substituir o atual combustível do seu parque gerador a partir de 2040, quando está previsto que o Brasil banirá o uso do carvão como combustível para geração elétrica. No plano estatal, enquanto o governo federal hesita entre concluir a UTN Angra 3 (65% pronta) ou descomissionar o projeto inconcluso a custos muito próximos (R$ 23 bilhões para concluir e R$ 21 bilhões para desmontar, segundo o BNDES), a Amazul, empresa da Marinha, trabalha no projeto de um SMR nacional que, segundo o diretor técnico da empresa, vice-almirante Carlos Alberto Matias, conta com a retomada de Angra 3 como locomotiva para acelerar este e outros projetos do Programa Nuclear Brasileiro. n Esta matéria é parte integrante da Série Especial “Termelétricas e Segurança Energética”, produzida pela Brasil Energia com o apoio de
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