Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 79 A descarbonização dos Sistemas Isolados de energia na região amazônica vem avançando lenta mas consistentemente nos últimos anos e deve ganhar velocidade ainda maior a partir deste ano. Pela primeira vez o Leilão para Suprimento aos Sistemas Isolados, previsto nesta edição para setembro próximo, exigirá um percentual mínimo de 22% de energia gerada a partir de fontes renováveis, exceto para aqueles que utilizem gás natural como fonte de geração. A mudança não atende apenas uma demanda ambiental. A logística do diesel e do OC é cara e já não se justifica em muitas localidades com opções mais baratas. Ainda hoje a maior parte das usinas que abastecem as comunidades isoladas em sete estados – Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Pernambuco na ilha de Fernando de Noronha, Rondônia e Roraima – são movidas a óleo diesel ou combustível, que emitem quantidade elevada de gases de efeito estufa (GEE). O diesel e o óleo combustível responderam em 2023, último dado disponível, por 69% da geração de energia elétrica dos Sistemas Isolados. Pouca coisa funciona a gás natural (22%), a biomassa (8%) e a hidreletricidade (1%), segundo dados da EPE. Para 2024, a projeção da EPE é de redução da participação das térmicas a óleo para 67%, queda aparentemente pequena, mas que confirma uma tendência; em 2022 essas usinas representavam 79% da geração de energia elétrica nos Sistemas Isolados. Hoje, os Sistemas Isolados fornecem energia para cerca de 2,7 milhões de pessoas em 196 localidades não supridas pelo Sistema Interligado Nacional, conforme últimos dados da EPE. São ao todo 175 sistemas desse tipo não conectados ao SIN. O número de sistemas isolados vem caindo nos últimos anos, e a expectativa da EPE é que essa participação diminua ainda mais nos próximos anos. Pelas projeções oficiais, até 2028 mais 40 sistemas isolados devem ser interligados ao SIN. Em 2018 eram 270, sendo 97% deles movidos a diesel. E a logística para fazer o diesel chegar a esses sistemas não é algo trivial. De acordo com o Grupo Atem, atuante
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