Especialistas tentam mostrar que há mais que poesia no vaivém das ondas e no sobe e desce das marés. De acordo com estimativas, existe um potencial teórico de geração de cerca de 120 GW no litoral brasileiro, considerando tecnologias que aproveitam o movimento das ondas, das marés e das correntes marítimas para produzir energia. O custo de geração dessas alternativas, contudo, ainda não é competitivo, fato que, associado a obstáculos como dificuldades logísticas e impacto ambiental, contribui para que essas tecnologias ainda permaneçam restritas a pesquisas e estudos no país. Professor emérito da Coppe/UFRJ e diretor-geral do recém-criado Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), Segen Estefen lembra que as tecnologias de geração de energia utilizando a água dos oceanos consistem em fontes renováveis abundantes no Brasil. “Nós entendemos que o Brasil, por ter uma costa muito extensa e uma zona econômica exclusiva muito grande, poderá se beneficiar muito dessas energias”, diz Estefen. Considerando-se somente o aproveitamento de ondas em áreas mais próximas da costa, nas quais não há outras formas de uso, ele estima que exista um potencial de geração de 17 GW no Brasil. Estefen foi um dos coordenadores da experiência mais destacada com a energia de ondas já realizada no país, envolvendo a instalação de um protótipo no Porto de Pecém, no Ceará, na década passada. A experiência, lembra o professor, tinha prazo, pois já eram previstas modificações no porto que inviabilizariam o funcionamento Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 85 do protótipo. Embora com duração limitada, a iniciativa serviu para ampliar os conhecimentos nessa frente. A Coppe tenta viabilizar, agora, testes com um novo protótipo a ser instalado na Ilha Rasa, situada a 6 quilômetros de Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), na qual existe uma guarnição da Marinha. Financiada pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPerj), a pesquisa já teve parte de seu planejamento cumprido, com a obtenção de dados locais sobre as ondas e a realização de testes no Laboratório de Tecnologia (Lab Oceano), da Coppe/UFRJ. Os testes, segundo Estefen, confirmaram as expectativas. A sequência da pesquisa depende, segundo ele, de financiamento. A Margem Equatorial, região em que a Petrobras pretende abrir a nova fronteira da exploração de petróleo e gás natural no país, é justamente a área em que há um potencial maior para a produção de energia a partir das ondas e das marés. “Essa área, que vai do Rio Grande do Norte até o Amazonas, está sob a influência dos ventos alísios, que contribuem para a formação de ondas maiores. Lá também há uma maior amplitude entre as marés, favorecendo a geração de energia”, explica o oceanógrafo Carlos Teixeira, professor associado do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC). Mas, assim como a Petrobras vem enfrentando dificuldades para o licenciamento ambiental de seus projetos na região, os futuros projetos deverão enfrentar os mesmos desafios. “A Margem Equatorial conta com uma grande rique-
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