e-revista Brasil Energia 495

86 Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 geração za em vida marinha, o que exigirá muitos estudos para a viabilização dos projetos”, explica Teixeira. Fonte na fase de P&D em todo o mundo O aproveitamento da energia das ondas e das marés encontra-se, no mundo, em fase de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D). Países como Portugal, China, Suécia e Reino Unido testam vários protótipos, mas as experiências ainda não chegaram a modelos de geradores viáveis comercialmente. A expectativa, contudo, é que as tecnologias atinjam o ponto de viabilidade econômica com um aprimoramento natural possibilitado pelas pesquisas. “A expectativa é que a viabilidade dessas fontes será obtida conforme se for criando escala para a produção de energia das ondas e das marés. Deverá repetir o que ocorreu com a geração eólica e solar, que eram fontes de custo elevado e hoje se espalham pelo mundo”, previu o professor Teixeira. O professor Segen Estefen, da Coppe/UFRJ e do Inpo, acredita que outro desafio do setor, a transmissão da energia produzida no mar para a costa, deverá ser mais bem resolvida à medida que a geração eólica offshore se expandir. “A geração eólica offshore, que é a tecnologia mais madura de produção de energia nos oceanos, deverá exigir a implantação de uma infraestrutura que certamente beneficiará as outras tecnologias”, disse ele. Especialistas acrescentam que é grande o interesse das companhias petroleiras em desenvolver pesquisas para a produção de energia no mar. Essa energia, segundo eles, contribuiria para o processo de descarbonização das petroleiras. Conforme noticiou o portal Neofeed no ano passado, a Petrobras, por exemplo, tem interesse em explorar a geração de energia a partir das correntes marinhas na região da Margem Equatorial. Carlos Teixeira acredita que a geração de energia aproveitando o movimento das ondas, marés e correntes marítimas deverá se desenvolver mais rapidamente em países em que há pouca disponibilidade de terra para a implementação de projetos de geração, como ocorre no norte da Europa. “Aqui ainda temos muito área para a produção de energia, que é mais barata quando produzida no continente”, diz ele “A energia obtida das ondas se justifica somente em regiões mais afastadas, nas quais não se tem a possibilidade de levar a energia convencional, porque o custo ainda é elevado”, afirma Estefen. Ele calcula que o custo de geração de uma usina que produza eletricidade a partir do movimento das ondas seja de 2 a 3 vezes o observado em usinas eólicas e hidráulicas, por exemplo. “Mas isso tende a mudar, à medida que as pesquisas avancem na obtenção de sistemas mais competitivos, do ponto de vista econômico”, acrescentou. Quem é fonte nesta matéria SEGEN ESTEFEN, professor emérito da Coppe/UFRJ e diretor-geral do Inpo CARLOS TEIXEIRA, professor associado do Labomar da Universidade Federal do Ceará (UFC)

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