e-revista Brasil Energia 495

92 Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 hidrelétricas ram a se unir para gerar e distribuir a própria energia para além do esforço individual representado pela roda. De acordo com Thainá Côrtes Pereira, analista técnica do Ramo de Infraestrutura da Organização das Cooperativas Brasileiras (OSB), este esforço chega a 2025, Ano Internacional do Cooperativismo, declarado pela ONU sob o lema “Cooperativas Constroem um Mundo Melhor”, com uma capacidade instalada de geração de 350 MW, provenientes de 68 usinas. Da capacidade total, 93% são provenientes da fonte hídrica, PCHs e CGHs. Essa capacidade instalada corresponde a uma UHE Baixo Iguaçu, usina que fecha a cascata de geração do rio Iguaçu, um dos mais produtivos do Brasil em termos de geração hidrelétrica. Esta capacidade está distribuída por 16 cooperativas de geração, segundo dados da Aneel compilados pela OCB. Entre elas estão algumas cooperativas que podem ser consideradas de grande porte para o ramo, como a Coprel, do Rio Grande do Sul, que possui 11 PCHs e CGHs, totalizando 78,8 MW de capacidade instalada, segundo dados que constam do seu site na Internet. A Certel, outra das maiores cooperativas do ramo, também gaúcha, possui quatro usinas hídricas, totalizando 23 MW de capacidade, e está construindo a UHE Bom Retiro, no rio Taquari, com capacidade instalada de 35,18 MW. A Creral – Cooperativa de Geração de Energia e Desenvolvimento, com sede em Erechim (RS), possui 33,22 MW de capacidade distribuída por cinco PCHs/CGHs, além de uma termelétrica de 8 MW e dois parque solares. Pereira explica que as cooperativas nasceram com a função de gerar e distribuir energia ao mesmo tempo, mas a evolução regulatória segmentou suas atividades e muitas delas hoje se constituem em grupos empresariais com atuação nos vários polos do setor elétrico. Nos seus primórdios, entre os anos 1970 e 1980, elas chegaram a ser cerca de 280 cooperativas de eletrificação rural, sem distinção entre geradoras e distribuidoras. A partir da criação da Aneel, na segunda metade dos anos 1990, as regras separaram a geração da distribuição e o desenho atual envolve, segundo Pereira, um total de 67 cooperativas. Dentro do ramo de infraestrutura, um dos oito em que se subdividem as cooperativas brasileiras, os dados da OCB indicam que o setor elétrico responde por 61% das atividades, sendo 33% formados por geradoras para consumo próprio (MMGD), 4% são cooperativas de geração para venda e 24% atuam na distribuição de energia. Os registros da Aneel compilados pela OCB mostram a existência atual de 53 cooperativas de distribuição, sendo 52 delas classificadas como permissionárias e apenas uma, a catarinense Cooperaliança, enquadrada como distribuidora. No mesmo conjunto existem quase 50 que atuam na geração distribuída. Segundo a Aneel, a figura da permissionária de distribuição de energia nasceu em 2005, por meio da Resolução Normativa nº 205. A classificação foi criada para enquadrar as cooperativas de eletrificação rural existentes nos direitos e obrigações do segmento. Como se tratava de estruturas existentes, de caráter familiar e de abrangência

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