e-revista Brasil Energia 495

Brasil Energia, nº 495, 30 de junho de 2025 93 limitada, tanto territorial quanto de carga, as cooperativas não estão enquadradas na regra licitatória para a concessão do serviço de distribuição a que estão sujeitas as distribuidoras convencionais, sendo detentoras de permissão da Aneel para atuarem como distribuidoras, com limite máximo de carga de 500 GWh. Pereira explicou que no processo de redefinições regulatórias, muitas das cooperativas não conseguiram se adequar às regras para se tornarem permissionárias, tendo sido absorvidas pelas grandes distribuidoras regionais, daí a queda no número total para menos de um quarto das que existiam anteriormente. As cooperativas enquadradas como permissionárias de distribuição têm direito a uma subvenção da Tusd, proveniente da CDE para, segundo o submódulo 8.5 dos Procedimentos de Regulação Tarifária (Proret) da Aneel, compensar a cooperativa por sua baixa densidade de carga. Por esta característica, a regra estipula que, se o mercado atendido pela cooperativa exceder o limite de 500 GWh, a subvenção será reduzida na proporção do fornecimento que exceder àquela quantidade de energia. Nascidas da demanda por eletrificação rural, as cooperativas chegaram aos centros urbanos dos municípios onde foram gestadas, tornando-se hoje responsáveis pelo abastecimento de um contingente significativo da população brasileira. Segundo Pereira, elas hoje atendem a mais de 750 mil domicílios de 800 municípios espalhados por nove estados brasileiros. Potencial hídrico estimulou A região Sul do Brasil é o berço do cooperativismo do país, inclusive no setor elétrico, concentrando a maioria das cooperativas existentes. Para o engenheiro eletricista Vinicius Murussi, que atuou por mais de 18 anos na Coprel, passando por vários cargos de direção, a tendência está associada à cultura trazida pelos imigrantes europeus, na maioria italianos e alemães, que se instalaram na região. Do ponto de vista da geração de energia, o especialista associa a opção pela fonte hídrica principalmente à fartura de disponibilidade proporcionada pelo relevo que proporcionou uma alternativa mais barata, acessível e limpa, ainda que nos primórdios das cooperativas a questão ambiental ainda não estivesse em pauta. Foto: Divulgação/Creral PCH Santa Carolina, de 10,5 MW, localizada no rio Turvo, entre os municípios de André da Rocha e Muitos Capões (RS), pertence à Creral em sociedade com o Grupo Arbaza

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