32 Brasil Energia, nº 496, 24 de julho de 2025 transmissão transmissão de 2025. Inédita nos certames organizados pela Aneel, a tecnologia já é usada no setor privado e também tem uma iniciativa fora de leilão, liderada pela Isa Energia. “É o primeiro leilão onde foi especificado um dispositivo de controle automático rápido de reativos, nome dado pela Aneel para os compensadores síncronos estáticos (statcom)”, explica Bruno Gallucci, engenheiro de aplicação da subsidiária brasileira da Hitachi Energy. Em conversa com a Brasil Energia, ele destaca que a necessidade da instalação dos sistemas na rede de transmissão foi identificada pelos estudos de planejamento da EPE e tem como objetivo o controle de tensão instantâneo. Em outras palavras, a tecnologia colabora para uma melhor estabilidade do sistema elétrico. Gallucci informa que a adoção das tecnologias de qualidade de energia já é comum na Europa, particularmente na Alemanha e Reino Unido, países que têm statcoms aplicados há um bom tempo. A novidade é a ativação do E-Statcom, um formato aprimorado, para interconexão de parques eólicos offshore. “Inclusive para controle de reativos, regulação de tensão e aporte de inércia, fortalecendo as redes de transmissão e mitigando problemas de black-out”, detalha. O especialista reforça que esses recursos devem ser mais presentes na rede brasileira para a manutenção do equilíbrio elétrico do sistema, que se torna mais sensível à medida que aumenta a quantidade de injeção de fontes intermitentes. Além de mais soluções de qualidade de energia, ele lembra que o aumento de injeção de renováveis variáveis também significa que são necessárias mais conexões de rede para conectar a geração à rede de transmissão. Das duas fontes intermitentes, o executivo chama a atenção para a singularidade da geração solar no país. A soma da solar centralizada e da geração distribuída (GDF) já supera 58 GW de capacidade instalada, superando as eólicas, e ocupando o segundo lugar na matriz elétrica nacional, de acordo com dados da Aneel. Detalhe: atualmente as hidrelétricas, que trazem estabilidade ao sistema, somam 109 GW de capacidade. O quadro explica a preocupação tanto da Aneel, como da EPE e do ONS na seleção de compensadores síncronos em alguns lotes como parte dos leilões de expansão da rede. Gallucci destaca ainda que as novas tecnologias podem se integrar aos sistemas existentes, ampliando a flexibilidade da rede. É o caso das subestações que já possuem compensador síncrono. Nesse formato, a tecnologia contribui com inércia e regulação de tensão lenta para rede de transmissão. Outra aplicação é a ativação de um Statcom na mesma subestação, com objetivo de controle rápido de tensão, agregando um serviço para a rede de transmissão. “Existem projetos no Reino Unido, com sistema híbrido formado por um Statcom e um compensador síncrono. Eles trabalham em conjunto e aproveitam o melhor dos dois tipos de compensação de reativos”, finaliza. n
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=