e-revista Brasil Energia 496

Brasil Energia, nº 496, 24 de julho de 2025 39 Wagner Victer é engenheiro, administrador, ex-secretário de Estado de Energia, Indústria Naval e do Petróleo, e ex conselheiro do CNPE. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Wagner Victer Data Centers: Oportunidades e Desafios O Brasil desponta como fronteira promissora na rota dos grandes data centers. Projetos anuais, antes estimados em US$ 3,5 bilhões até 2030, foram revisados para US$ 6,5 bilhões, reflexo da forte demanda Desde a era dos servidores modestos que ficavam no canto dos escritórios, os data centers passaram nos últimos anos por uma transformação que muitos nem perceberam. Mais do que simples depósitos de equipamentos, tornaram-se os “corações” pulsantes da nova economia digital, armazenando fotos, mensagens e dando vida a aplicações da nova onda de “inteligência artificial” 24 horas por dia. Há duas décadas, cada empresa mantinha seus próprios servidores em salas internas ou pequenos data centers corporativos. Esse modelo descentralizado cedeu lugar, à medida que a computação online começou a requerer grandes instalações terceirizadas que oferecem escala, segurança e resiliência superiores. Atualmente os arranjos com data centers internos representam apenas cerca de 10% da carga global de TI, enquanto ambientes de hiperescala somam entre 60% e 70% do processamento total. Em quatro anos, o número de data centers de hiperescala dobrou, chegando a aproximadamente 1.000 unidades no início de 2024, com os Estados Unidos abrigando mais da metade dessa capacidade. Nessa escalada, os gigantes Amazon, Microsoft e Google respondem por cerca de 60% desses megacentros, espelhando o domínio dos provedores de nuvem na infraestrutura global. O crescimento exponencial dos data centers elevou seu consumo a cerca de 415 TWh anuais - cerca de 1,5% do consumo elétrico mundial -, com taxa média de crescimento de 12% ao ano na última meia década. Nos Estados Unidos, esses centros já são responsáveis por 4,4% do uso elétrico nacional (aprox. 176 TWh em 2023), o equivalente a mais de 4 kWh de cada 100 kWh gerados. Projeções indicam que o consumo global pode quase dobrar até 2030, alcançando 945 TWh (quase 3% do total estimado), e chegar a representar até 10% da demanda elétrica dos EUA na próxima década, impulsionado principalmente pelo surgimento de aplicações de inteligência artificial, que exigem racks de alta densidade energética, já que usam placas de vídeo de alto desempenho. Nesse cenário de crescimento, o impacto ambiental e busca por eficiência viram desafios e oportunidades O alto consumo de eletricidade, quando oriundo de fontes fósseis, em algumas localidades pode ser traduzido em emissões relevantes de CO2. Só nos EUA, os data centers emitiram cerca de 105 milhões de toneladas de CO2 em 2024, equivalentes a cerca de 2% das emissões totais do país, representando um crescimento de 300% desde 2018. Além disso, o uso intensivo de água para resfriamento em grandes instalações pressiona os recursos hídricos locais, destacando que sistemas de ar condicionado chegam a consumir entre 30 e 40% da energia de um data center típico. Continue lendo esse artigo em: /energia/data-centers-oportunidades-edesafios-para-o-setor-energetico

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