Brasil Energia, nº 496, 24 de julho de 2025 53 As perdas não técnicas custaram R$ 10,3 bilhões ao sistema elétrico brasileiro em 2024, segundo a Aneel. De acordo com o relatório da agência, as ações criminosas envolvem, principalmente, furtos por meio de ligação clandestina ou desvio direto da rede, mas também fraudes, como adulterações no medidor, além de erros de leitura, medição e faturamento. Independente do tipo, as perdas não- -técnicas são particularmente pesadas em duas concessionarias: Light e Amazonas Energia. Juntas as duas respondem por 34% do valor citado acima. Ângela Gomes, consultora da PSR, destaca que o combate ao crime exige soluções combinadas e em várias frentes, incluindo tarifas diferenciadas, programas sociais e o uso de tecnologias, além da necessidade de apoio da segurança pública. Segundo ela, os exemplos internacionais bem-sucedidos podem ajudar as concessionárias locais a reduzir os problemas. “Estudamos exemplos bem-sucedidos de combate ao furto de energia, particularmente na Índia e na Colômbia. Nesses locais, houve uma conjunção de esforços que chamamos de tripé”, reforça a especialista, em conversa com a Brasil Energia. De acordo com ela, o primeiro componente da solução é a adoção de tarifas diferenciadas para regiões complexas, de modo que a conta de energia possa caber no bolso do consumidor e evitar os populares “gatos”. Os programas sociais, também fazem parte da equação para reduzir as perdas não-técnicas e, nesse caso, o saneamento básico é um exemplo a ser seguido. “É uma iniciativa que envolve ir às comunidades de menor renda, trabalhar na educação financeira para ensinar o que a fatura representa para a qualidade de vida e o fornecimento de energia, e buscar um ciclo virtuoso de geração de renda”, explica. Ela dá como exemplo positivo o emprego de mulheres pelas concessionárias indianas para ajudar no cumprimento do pagamento. Elas também ajudaram a ensinar a importância de não furtar energia e auxiliar no planejamento financeiro das famílias. “Há um grande potencial para isso no Brasil, visto que mais de 80% das famílias carentes são chefiadas por mulheres”, argumenta a especialista da PSR. O terceiro elemento do tripé citado por Ângela é a tecnologia, dividida em duas frentes. Na primeira delas está o foco em hardware. A medição por transformador é um caso real, em que em cada equipamento atende de 50 a 100 clientes. Isso permite saber quais conjuntos de consumidores têm maior perda fora das áreas de risco, possibilitando intervenções assertivas e de menor custo. “A Colômbia teve muito sucesso com isso”, lembra Ângela. Outra frente de ação envolve softwares e, mais especificamente a aplicação de inteligência de dados. Falando de
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