Brasil Energia, nº 496, 24 de julho de 2025 67 “Os dados são sincronizados em tempo real assim que os técnicos em campo têm acesso à internet, permitindo que a equipe do escritório comece a trabalhar nos relatórios enquanto o trabalho de campo ainda está em andamento, agilizando o processamento das informações”, detalha. Outro recurso usado atualmente é a centralização da gestão de todos os dados do projeto: cronograma, plano de trabalho, documentos, contratos, dados socioeconômicos, registros de ouvidoria, informações fundiárias e judiciais, além das inspeções ambientais. A iniciativa permite a visualização tridimensional do empreendimento, incluindo torres e linhas de transmissão, e facilita a tomada de decisão durante o projeto. Um exemplo prático da Ambientare foi o licenciamento de uma linha de transmissão da indiana Sterlite. Em vez de percorrer os 2 mil km de linha, a modelagem preditiva com imagens permitiu o foco em áreas onde o levantamento indicava maior potencial arqueológico, o que tornou o licenciamento mais eficiente. O uso de satélites que passam mais de uma vez por determinada área igualmente ajuda a definir regiões que demandam visitas presenciais. A combinação desse recurso com o acionamento de drones também agiliza o trabalho das concessionárias. Os drones são empregados para levantamentos em áreas de difícil acesso, reduzindo o número de dias em campo e melhorando a qualidade da informação. Na fase de implantação, eles podem ainda ser usados para o lançamento de cabos-guia, em casos de alteamento de torres, minimizando a supressão de vegetação. O alteamento, aliás, foi indicado pela Cetesb para pontos de obras prioritárias em São Paulo, o que simplificou o licenciamento. O investimento das concessionárias passa ainda pela digitalização. Goulart dá como exemplos a Engie, que montou um departamento focado somente na gestão de ativos em construção, com forte base tecnológica, e a Alupar, com portal exclusivo para o mesmo tipo de gestão e contratação de consultores. Na área estadual, ele cita Goiás, com um sistema de licenciamento completamente digital, além do Ibama, com um banco integrado de estudos ambientais. “Essas inovações e a crescente maturidade do setor aceleram o licenciamento e garantem maior fidelidade dos dados, resultando em projetos mais eficientes e sustentáveis”, finaliza o especialista. n Quem é fonte nesta matéria MICHAEL GOULART, diretor de Inovação e ESG da Ambientare MAYLA FUKUSHIMA, diretora de Avaliação e Impacto Ambiental da Cetesb Esta matéria é parte integrante da Série Especial “Novos Modelos e Tecnologias em Energia”, produzida pela Brasil Energia com o apoio de
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=