Brasil Energia, nº 496, 24 de julho de 2025 91 O sensoriamento da rede elétrica começa a ser massificado no Brasil. Isso significa que há uma ampliação dos alvos de monitoramento para além das subestações e dos religadores, para citar dois exemplos tradicionais onde isso já acontece. O próximo passo, segundo especialistas ouvidos pela Brasil Energia, é ampliar a coleta de dados. A ampliação inclui os medidores inteligentes de baixa tensão, na ponta final dos consumidores. O processo também avança para outros componentes de rede. Os exemplos incluem sensores colocados em transformadores aéreos para coletar informações como vibração, variação de temperatura e ruído, ajudando a prever falhas. Outra aplicação é a instalação de fibra ótica nas linhas - com sensores - ao longo da rede para capturar vibração, variação de temperatura e identificar causas de descarga parcial que podem gerar falhas. Na prática, as empresas passam a ter maior visibilidade da sua infraestrutura, respondendo mais rápido à necessidade de manutenção preventiva. Da mesma forma, o avanço da inteligência artificial (IA) deve pavimentar o processo, ao permitir a gestão do grande volume de dados que devem ser captados. “Digitalizar a rede significa ter informação de uma maneira adequada. É diferente de anotar dados em papel ou tê- -los isolados no software de um relé digital”, explica Juliano Gonçalves, especialista da Megger, empresa especializada em testes e medições elétricas. “A informação precisa estar conectada a um sistema maior. O objetivo é ter milhares de dados gerados todos os dias na rede, disponíveis para tomada de decisões”, completa. Para Gonçalves, o processo ainda está no começo, mesmo porque as empresas de forma geral usam apenas cerca de 3% dos dados que coletam, de acordo com estudos internacionais. Segundo o especialista, os dados atuais vêm tradicionalmente de subestações, circuitos e religadores. No entanto, os sensores instalados nem sempre dão todas as informações necessárias ou estão conectados e utilizáveis para outros fins. Os religadores, por exemplo, fornecem informações básicas de atuação e corrente, mas
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