e-revista Brasil Energia 496

92 Brasil Energia, nº 496, 24 de julho de 2025 distribuição nem sempre estão conectados ao sistema de forma que se permita uma utilização mais ampla das informações. Na medida que mais dados estejam disponíveis, as concessionárias poderão aplicar a inteligência artificial (IA) para processá-los em grande volume, permitindo não só análises imediatas, mas também a criação de cenários, usando a simulação via gêmeos digitais. Com esse recurso, pode- -se criar o espelho digital de uma rede física e simular mudanças antes de fazê-las de fato na infraestrutura real. “Não existe inteligência artificial se não tiver dados. Estamos vivendo uma “revolução ainda maior”, onde a capacidade de produção e tratamento de dados, antes não vista como possível de maneira inteligente, é real”, explica Gonçalves. Segundo ele, outro campo de aplicação do sensoriamento é no controle da geração distribuída (GD). Como a GD pode inverter o fluxo de energia na rede, saber onde e quando isso acontece é fundamental para a gestão das distribuidoras. Hoje, essa visibilidade não existe, de acordo com o especialista. Além da gestão operacional e da GD, o sensoriamento tem um papel importante na resolução de falhas. “Em áreas rurais com circuitos longos, onde encontrar uma falha pode levar dias, o sensor reduz esse tempo para algumas horas”, detalha. O especialista destaca ainda que há um apetite do setor para trabalhar com mais dados e as grandes distribuidoras são as que mais buscam esse tipo de solução. “A bússola dessas empresas é ter soluções para detecção de falhas e, principalmente, ter informação da rede para fazer o preventivo e outras análises. O mercado no Brasil para sensoriamento é gigantesco, pois a maior parte da rede é aérea”, completa. Gonçalves lembra que há projetos em andamento em algumas distribuidoras brasileiras, com destaque para Energisa, que estaria passando para a fase 2 de um projeto com sensores, além da Celesc, ouvida por essa reportagem. A lista inclui ainda CPFL, Cemig e Enel, entre outras, todas com projetos pontuais para resolver problemas específicos em trechos da rede. Monitoramento na Celesc: sensores colocados em transformadores aéreos permitem coletar informações como vibração, variação de temperatura e ruído Foto: Celesc

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