10 Brasil Energia, nº 497, 25 de agosto de 2025 entrevista Luciana Costa o desenvolvimento do território com um olhar social. Tem muito o que o BNDES fazer e a gente tem feito. O BNDES pode fazer muito próximo da Petrobras. Algo pode ser feito especificamente para a cadeia fornecedora, como o financiamento para ela se instalar na Margem Equatorial? Podemos pensar e discutir isso. Tem a questão das embarcações. O BNDES é o maior operador do Fundo da Marinha Mercante. A gente apoia a modernização da frota. Já tem muita coisa que a gente faz junto. Como transformar o investimento na Amazônia em desenvolvimento social? Essa é uma questão de política pública, de planejamento. E, aí sim, o BNDES e a Petrobras são muito fortes juntos. Na construção da hidrelétrica de Belo Monte, por exemplo, houve um problema de grande impacto no território. Mas, hoje, se não tivesse a usina, a região seria muito mais pobre. Hoje, a cidade de Altamira tem mais de 90% de cobertura de água e esgoto. O restante da Amazônia tem muito menos. O Acre tem 7%. Então, tem sim como fazer bem-feito. Vamos olhar os erros do passado, não repetir, e replicar os acertos. O mercado de crédito de carbono é uma parte da solução da equação? Sim. O mercado de crédito de carbono é uma grande oportunidade para o país. Cinquenta por cento das nossas emissões vêm de desmatamento e grande parte do desmatamento está concentrado na Amazônia. Vinte e quatro por cento das emissões vêm do uso da terra, da agropecuária. Somente 18% vêm de energia. No resto do mundo, quase 80% das emissões vêm do setor energético e menos de 10% do desmatamento. Então, o Brasil tem um padrão de emissão diferente do resto do mundo. Controlar desmatamento e restaurar terra degradada em larga escala vai ser cada vez mais economicamente viável quanto mais o mercado de carbono se desenvolver. E a gente, obviamente, tem que continuar com os esforços de transição energética na indústria e no setor de energia. Ainda há espaço para investimento em hidrelétricas? Hoje o Brasil não está discutindo isso. Eu, Luciana, considero que a gente tem um terço da água de todas as Américas e por isso acho que a gente deveria estar discutindo, sim, a construção de hidrelétricas. Até porque a hidrelétrica é renovável e, com reservatório, resolve o problema de intermitência de solar e eólica. Mas houve muito debate, muita polêmica na construção de Belo Monte. Esse é um debate importante a se fazer. Sem Belo Monte, a gente não poderia ter acrescentado tanta energia renovável na nossa matriz. Ela segura a produção no momento em que o sol se põe. E existem usos múltiplos da água. Tem muitas informações que não chegam para a sociedade sobre os benefícios que determinadas hidrelétricas promovem até hoje. Como está o desembolso para a área de infraestrutura voltada para a transição energética? Considerando tudo de infraestrutura, a média de aprovação na gestão passada era de R$ 40 bilhões por ano. Nós esta-
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