Brasil Energia, nº 497, 25 de agosto de 2025 9 nizar. Inclusive, é um guidance global da ONU, porque mais ou menos quatro por cento das emissões globais vêm do setor marítimo. Esse setor tem obrigações. O que o BNDES vai fazer junto com a Transpetro é um acordo de cooperação técnica para a elaboração de um estudo que vai ajudar o setor naval brasileiro na transição energética. O estudo vai olhar o tema da descarbonização e da transição energética como uma oportunidade, porque a indústria naval vai ter que ser reestruturada. As emissões do transporte marítimo têm aumentado e o IMO (International Maritime Organization) colocou metas de descarbonização para a indústria naval. Ela vai ter que adotar combustíveis alternativos para embarcações. Como o BNDES está envolvido no projeto da Petrobras para a Margem Equatorial? Você já falou que a Amazônia é um bode na sala para o Brasil, que ela precisa se desenvolver. Como se resolve esse dilema? A Margem Equatorial é um projeto da Petrobras. A gente não está envolvido diretamente nesse projeto. Mas nós entendemos que é preciso continuar com os estudos para, no futuro, o que se prevê que tenha lá de petróleo possa ser explorado. A gente entende que a Petrobras é a maior empresa de offshore do mundo, tem muita tecnologia, não tem acidentes no currículo, o que é um selo de qualidade. Os estudos têm que acontecer o mais rapidamente possível. Caso se comprove a existência da quantidade de petróleo que se diz ter lá, a gente tem que explorar, sim. A Rystad (Energy) cita de 10 a 25 bilhões de barris de óleo equivalente. O petróleo do Brasil é menos intensivo no escopo 1 e 2. Não tem sentido os nossos vizinhos explorarem esse petróleo e a gente ter que importar óleo a partir da metade da próxima década, abrindo mão dessa riqueza. Tem que ser com o maior critério possível. A Petrobras tem que cumprir tudo que o Ibama colocar de condição, mas a exploração e produção desse petróleo, se existir, deve acontecer. A Amazônia é um bode na sala porque vivem quase 30 milhões de pessoas na região e os seus índices sociais são os piores desse país. Preservar a Amazônia é fundamental. Mas o desenvolvimento da região passa pela geração de riqueza. A Amazônia é uma grande oportunidade para o país. O BNDES tem algum projeto de desenvolvimento da infraestrutura na região da Margem Equatorial e de uma cadeia local? Tem várias formas de contribuição com a Petrobras. Uma coisa que a gente fez foi o programa Pró-Floresta, para desenvolver o setor de carbono com a Petrobras. A ideia é promover a restauração de até 50 mil hectares de terras degradadas da Amazônia. É uma parceria que pode se expandir. Além disso, uma vez que a Petrobras decida explorar a região, o BNDES pode sentar com a empresa. O BNDES tem muita experiência no desenvolvimento de territórios. A gente tem a área social que gere o Fundo Amazônia, por exemplo, e apoia projetos de comunidades locais. Se tiver tudo que se espera de petróleo e a Petrobras fizer aportes grandes no Fundo Amazônia, o banco pode apoiar
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