8 Brasil Energia, nº 497, 25 de agosto de 2025 entrevista Luciana Costa fertilizante verdes, combustível sustentável de aviação, minerais críticos, biometano, soluções baseadas na natureza e restauração. “Isso para a gente é muito prioritário”, ressaltou ela, na seguinte entrevista. É possível ter um setor de petróleo ambientalmente sustentável? É importante a gente debater o papel do setor de óleo e gás na transição energética e qual é o futuro da energia. Como a gente garante que o futuro vai ser neutro em carbono, mas sem ameaças à segurança energética, não vejo nenhuma incongruência. O setor de petróleo e gás é parte da equação da transição energética. Não tem como pensar em uma transição energética justa e segura sem este setor extremamente importante para a economia brasileira. A gente precisa escalar energia renovável, novas tecnologias que vão gradativamente substituindo os combustíveis fósseis, mas a gente não pode prescindir do petróleo e do gás no curto prazo. No BNDES, a gente entende o gás como um combustível de transição, porque deixa uma pegada de carbono menor do que o carvão, por exemplo. Além disso, as energias renováveis, solar e eólica, têm um componente de intermitência importante. A gente precisa de térmica a gás, de hidrelétrica com reservatório. É um mundo que precisa ser neutro em carbono. A gente precisa conter o aquecimento global, só que a equação de segurança energética é extremamente complexa para a gente simplesmente se basear no senso comum de que o óleo e gás são fósseis e a gente precisa parar de consumir esse tipo de combustível. A discussão da transição energética é multidisciplinar. Ela é econômica, setorial e ambiental. Como isso se reflete no banco? Existe alguma resistência ao petróleo? Em todos os nossos empréstimos, fazemos uma análise do impacto social de cada projeto. Fazemos um due diligence socioambiental extremamente criterioso. Mas não temos nenhuma diretriz macro de, por exemplo, não financiar usinas térmicas a gás. A gente financia gás e petróleo desde que os projetos passem pelos nossos critérios de análise de impacto socioambiental. As análises se baseiam no licenciamento. As diretrizes são as mesmas? Todos os projetos precisam ter todas as licenças. As diretrizes são analisar o impacto no território. O BNDES tem uma área super criteriosa que analisa os impactos, mas a gente não tem diretriz para não financiar o setor de petróleo e gás. Não existe isso. O BNDES acabou de assinar um acordo de descarbonização com a indústria naval. O que a gente pode esperar dele na prática? Primeiro, vamos fazer um grande estudo de como vai ser a transição na indústria naval. Isso pode, de alguma forma, restringir o acesso ao capital para a indústria naval? As exigências para o setor estão dadas. O setor tem obrigação de descarbo-
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