Brasil Energia, nº 497, 25 de agosto de 2025 63 Enquanto as grandes potências nucleares do mundo, como China, Rússia e Estados Unidos, disputam a primazia de colocarem em operação comercial o primeiro Pequeno Reator Modular (SMR, na sigla em inglês), com ligeira vantagem para os russos que já tem o seu em testes, o Brasil, sem perder de vista aquela corrida e as suas perspectivas de inserção nela, envereda por uma rota autóctone, apostando no desenvolvimento de seu próprio projeto em tamanho menor, um Micro Reator Nuclear (MRN). Diferentemente do SMR, que pode ter até 300 MW de capacidade, rivalizando com uma hidrelétrica de médio porte, o MRN chega, no máximo, a 20 MW, porte de uma PCH. Nasceu na época da corrida espacial, como alternativa para suprir de energia satélites e naves, mas aqui pode transformar-se em alternativa para dar segurança energética ao grid. Em tese, com módulos de 5 MW, um conjunto de quatro desses reatores pode atender até 68% dos 5.570 municípios do país, aqueles com até 20 mil habitantes. E se os planos derem certo e a vontade política prevalecer, é possível que esta solução já esteja disponível comercialmente daqui a oito anos, em 2033. O cálculo é do engenheiro nuclear Adolfo Braid, à frente de um projeto P&D de três anos, com financiamento de R$ 50 milhões, dos quais 60% (R$ 30 milhões) em subvenção da principal financiadora estatal à inovação do país (Finep) e 40% (R$ 20 milhões) em contrapartida da Diamante Energia (proponente do projeto), INB e a Terminus Pesquisa e Desenvolvimento em Energia, startup liderada por Braid, engenheiro pelo IME, com mestrado em engenharia nuclear na Universidade da Califórnia (Berkeley) e doutorado na Coppe/UFRJ. O projeto prevê parcerias com pelo menos nove instituições científicas e tecnológicas, sendo quatro universidades federais - UFC, UFMG, UFSC e UFABC - além das ICTs IEN e Ipen (Cnen), Inatel, DDNM e a Amazul, empresa da Marinha do Brasil voltada para o desenvolvimento nuclear. Ex-diretor Industrial da Nuclep na época da fabricação dos geradores de vapor da UTN Angra 1, Braid explica que quando foi procurado por colegas da comunidade tecnológica nuclear para discutir as perspectivas dos SMRs no Brasil, ponderou que, embora existam cerca de 80 projetos desses pequenos reatores mundo afora, a primazia no primeiro momento será dos países mais avançados no domínio da tecnologia nuclear. Mas ressaltou que se essa busca inicial se concentrasse nos MRNs, o Brasil tinha condições de “projetar, fabricar e operar”, com a vantagem de ser uma instalação de fácil logística de movimentação. O MRN seria ainda possível de ser fabricado em série, como em uma linha de montagem, e passível de contribuir com a transição energética na maior parte do território brasileiro, produzindo energia limpa, combinada ou não com fontes renováveis intermitentes (solar e eólica) e com instalações de armazenamento, como baterias. A proposta de Braid aponta para um MRN de 5 MW, capaz de ser instalado em um contêiner de 12m e transportado facilmente para qualquer ponto do território brasileiro.
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