64 Brasil Energia, nº 497, 25 de agosto de 2025 nuclear E uma bateria de quatro desses MRNs, totalizando 20 MW de capacidade, poderia abastecer uma cidade de 20 mil habitantes, o que abarca aqueles 68% dos municípios do país. Em terra e no mar Mas até que seja possível projetar e produzir um protótipo com tamanho e potência operacional era preciso projetar e desenvolver um reator em dimensões e potência de laboratório, uma potência irrisória, segundo o pesquisador, como a de uma lâmpada doméstica. Foi no contexto desse debate que surgiu a oportunidade representada pelo edital da Finep para a seleção de projetos. A Terminus, uma startup independente nascida de “uma conversa entre amigos”, apresentou sua proposta que foi aprovada com nota máxima. A exigência da Finep de uma contrapartida de 40% permitiu o encontro com a Diamante Energia que se dispôs a fazer a complementação da verba. O contrato foi assinado no dia 17 de junho passado, com prazo de três anos para apresentação do resultado que será aquele microrreator, chamado tecnicamente de unidade crítica, suficiente para permitir no seu interior uma reação nuclear em cadeia. Braid ressalta que o projeto não tem relação direta com a busca da Diamante, concessionária do complexo termelétrico Jorge Lacerda de geração a carvão, em Santa Catarina, por uma alternativa limpa para depois de 2040, quando está previsto o fim da outorga com o uso do combustível fóssil. A ideia da geradora é examinar a possibilidade de trocar o carvão por combustível nuclear, instalando SMRs no lugar do atual complexo de UTEs. O fundador da Terminus disse que o projeto do MRN independe dessa ideia, cuja perspectiva é mais de longo prazo, embora no futuro os dois caminhos possam se cruzar. Nas apresentações que vem fazendo em diversos fóruns, Braid mostra que os MRNs têm aplicações muito mais pulverizadas do que os SMRs, começando pela possibilidade de suprir sistemas isolados, hoje dependentes de combustíveis fósseis, passando por suprimento a diversas atividades industriais, data centers, mineração de criptomoedas e até de suprir de energia a exploração e produção de óleo e gás no mar, reduzindo a pegada de carbono dessas atividades em meio à transição energética. Unidade crítica Entre as muitas vantagens técnicas e logísticas dos MRNs, o especialista destaca, além da produção de energia limpa com fator de capacidade de 100% em regime de 24/7, a possibilidade ser operado e monitorado remotamente, a facilidade de transporte, a possibilidade de fabricação em instalações de médio porte, a necessidade de pouco espaço por unidade de 5 MW – cerca de 4 mil m2 – e, especialmente, uma delas: a dispensa do uso de água para resfriamento do reator. O desenho do MRN prevê o funcionamento do reator acoplado a um sistema de trocadores de calor, tecnicamente chamados de heat-pipes, que fazem a função da água, insumo indispensável e de uso abundante nas UTNs e nos projetos de SMRs até agora apresentados.
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