e-revista Brasil Energia 497

82 Brasil Energia, nº 497, 25 de agosto de 2025 Especial Fenabio 2025 em novos mercados regionais. Trucco também cita o potencial de exportação, que hoje representa menos de 10% da produção da FS e é direcionada a países asiáticos, como Japão, Tailândia e Vietnã, além de discussões na Europa. “Vemos esses mercados com bons olhos e acreditamos que devem se tornar mais cativos para o Brasil”, afirmou. A empresa também aposta em novas demandas do setor, como o uso do etanol para combustível de aviação (SAF) e marítimo. Embora não planeje produzir SAF, a FS mira oportunidades nesses segmentos por meio de atributos ambientais de seu produto. Nesse sentido, está em implantação o projeto BEECS (Bio-Energy with Enhanced Carbon Storage), de captura e armazenamento geológico de carbono na unidade de Lucas do Rio Verde. A previsão é iniciar a injeção de CO2 em 2026 e obter certificação e operação plena no ano seguinte. “Será carbono negativo, gerando créditos de carbono e agregando valor ao etanol no mercado externo”, explicou Trucco. O executivo destaca que a iniciativa, inicialmente aplicada a uma planta, poderá ser expandida para outras unidades da FS. O CO2 capturado é proveniente da fermentação durante o processo de produção e, ao ser armazenado, contribui para a redução líquida das emissões. A FS também é uma das maiores geradoras de CBios no Brasil, devendo emitir cerca de 2 milhões de unidades em 2025. Esses créditos, emitidos no âmbito do RenovaBio, representam uma importante fonte de receita adicional. “Temos todas as áreas certificadas para maximizar a geração e comercialização de CBios”, disse Trucco. Além dos créditos regulados, a empresa planeja negociar créditos voluntários de carbono oriundos do BEECS assim que o projeto estiver em operação. “Será uma forma de monetizar o CO2 e reforçar nosso posicionamento em mercados que exigem menor pegada de carbono”, afirmou. Para Trucco, o etanol de milho é peça-chave para atingir a meta nacional de 35% de mistura na gasolina nos próximos anos, conforme defendido por representantes do setor. Ele vê o combustível como complementar ao etanol de cana, com espaço também para outras matérias-primas, como trigo e sorgo. “O setor de etanol deve ser visto como um só”, concluiu. O diretor comercial da FS, Paulo Trucco, diz que, além da planta em construção, a companhia já possui dois sites aptos a receber novas unidades Foto: Marcelo Furtado

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