Brasil Energia, nº 497, 25 de agosto de 2025 83 A Airbus considera o Brasil um dos países com maior potencial para se tornar um ator relevante na produção de SAF (Sustainable Aviation Fuel). A avaliação leva em conta a diversidade de matérias-primas disponíveis e a possibilidade de desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis a partir de áreas degradadas, associadas ao know-how europeu em bioenergia. O combustível de aviação sustentável é visto pela fabricante como peça central para a redução das emissões do setor aéreo nas próximas décadas. Em conversa com a Brasil Energia, o gestor internacional e de estratégia da Airbus, Tarcísio Soares, afirmou que a empresa mantém diálogo com empresas e centros de pesquisa brasileiros, como Embrapa, universidades e companhias do setor energético, para acompanhar o avanço de projetos com diferentes culturas e resíduos agrícolas. Ele citou exemplos como macaúba, canola e outras matérias-primas que evitam a concorrência com a produção de alimentos. “Quanto mais desenvolvimento conseguirmos agregar, melhor, porque ajuda a superar conceitos como o de comida versus combustível”, observou. Embora o executivo destaque que, no Brasil, ainda não há produção em escala comercial de SAF, ele chama atenção para iniciativas em andamento, como projetos da Acelen, que recentemente inaugurou Agripark para germinação da macaúba para seu megaprojeto que prevê produzir HVO e SAF, e da Petrobras. Para a Airbus, a ampliação dessa oferta é essencial para atender à demanda de companhias aéreas e garantir abastecimento local, uma vez que a utilização do combustível depende da decisão de cada operador. Atualmente, as normas internacionais estabelecem limite de até 50% de mistura de SAF com querosene de aviação convencional (Jet A-1), de acordo com padrões como o ASTM D1655 e especificações de blend aprovadas. Na União Europeia, regulamentos também preveem esse teto, embora haja estudos para permitir 100% de uso. A Airbus já realizou testes com esse percentual máximo em aeronaves comerciais e helicópteros, sem registro de problemas, Airbus vê Brasil como potencial produtor de SAF e amplia uso interno Tarcísio Soares, gestor internacional e de estratégia da Airbus: Brasil tem maior potencial para ser produtor relevante de SAF Foto: Marcelo Furtado
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