e-revista Brasil Energia 497

84 Brasil Energia, nº 497, 25 de agosto de 2025 Especial Fenabio 2025 mas o combustível precisa atender a requisitos de qualidade e certificação antes de entrar em operação regular. Soares lembrou que a segurança é prioridade no setor, e qualquer mudança depende de aprovação dos órgãos reguladores. “O avião não tem estacionamento. Qualquer problema em funcionamento pode ser um desastre, por isso os testes são extensos e criteriosos”, disse. Entre os padrões adotados está a certificação ASTM, além de critérios de sustentabilidade definidos por organismos como a OACI e entidades independentes que validam estudos e projetos. O uso interno do SAF já integra a estratégia de descarbonização da Airbus, aprovada pela Science Based Target Initiative (SBTi), vinculada à ONU. Em 2023, a meta era utilizar 10% de SAF nas operações de teste e entrega de aeronaves, mas o índice alcançado foi de 11,4%. Em 2024, a meta era de 15% e o resultado foi de 16%. Para 2025, o objetivo é chegar a 18%. A frota Beluga, usada para transporte interno de peças, também utiliza SAF regularmente, com percentual médio de 5%, dependendo da disponibilidade. A meta global da empresa é que todas as aeronaves sejam compatíveis com 100% de SAF até 2030, com aumento gradual da participação do combustível em suas operações. Para a Airbus, a transição para combustíveis sustentáveis exige investimentos simultâneos em produção, infraestrutura e certificações. Ao identificar o Brasil como um parceiro estratégico, a empresa sinaliza que o país poderá desempenhar papel relevante não apenas como consumidor, mas como fornecedor de SAF para o mercado global. Previsões A Firjan apresentou também durante a Fenabio uma nota técnica em que afirmaser nercessário o país produzir cerca de 1,1 bilhão de litros de SAF até 2037, para cumprir as metas do programa Combustível do Futuro. Trata-se do volume de consumo que será demandado para atingir a meta de redução de 10% de emisões apenas dos voos domésticos nacionais. A Firjan utilizou como base as projeções da EPE para a demanda a partir de 2027. Também a Evolua Etanol, comercializadora de etanol, segundo seu CEO, Pedro Paranhos, fez também previsão otimista. Para ele, a partir de 2030 o SAF vai criar demanda adicional de 8 milhões de metros cúbicos por ano de etanol. Paranhos acrescentou na demanda adicional mais 3 milhões de m3 para produção de biobunker (combustível marítimo), mais 2 milhões de m3 para produzir polietileno verde, além de exportação para novos mercados que tendem a aumentar a mistura do etanol na gasolina, caso do Japão, que colocou meta de 10% até 2030 (contra os atuais 2% na forma de ETBE importado dos EUA). Apenas para o mercado japonês, a demanda seria de 5 milhões de m3/ano. Com outros movimentos de expansão do mercado interno, para aumento da mistura até 35% e do consumo do hidratado, a previsão total seria de demanda adicional de 25 milhões de m3 a partir de 2030, apontou o CEO.

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