e-revista Brasil Energia 497

Brasil Energia, nº 497, 25 de agosto de 2025 87 Rubem Cesar Souza é engenheiro elétrico, mestre em Engenharia Mecânica, doutor e pós-doutor em Planejamento de Sistemas Energéticos, professor na UFAM e Unicamp. Escreve na Brasil Energia a cada dois meses. Rubem Cesar Carência de massa crítica qualificada para a Transição Energética De pouco vale à Nação fazer uso de tecnologias de ponta se não dispomos de mão de obra na quantidade e qualidade para projetá-las, implantá-las, operá-las e, ainda, assegurar sua contínua evolução É inconteste que não se pode pensar em avançar de forma consistente no processo de Transição Energética (TE) sem dispor de massa crítica qualificada em alto nível, dotada de hard e soft skills e capaz de desenvolver soluções inovadoras e disruptivas, de sorte a gerar novos produtos, serviços e políticas públicas. No intuito de orientar uma reflexão acerca dessa questão, trago algumas indagações. Estamos atendendo a demanda de profissionais? De acordo com levantamento realizado em 2023 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Brasil possuía um déficit de 75 mil engenheiros. Esse cenário se agrava na medida que se verifica queda na procura pelos cursos de engenharia. Somente nas Instituições de Ensino Superior particulares, entre 2014 e 2020, a queda foi de 44,5%, de acordo com o Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp). Segundo ainda a Federação dos Petroleiros (FUP), baseado em estudos realizado pelo Ineep e Dieese, a quantidade de empregos gerados para a TE tem sido inferior à quantidade de empregos na indústria em geral e menos ainda quando se compara com a indústria química e de petróleo e gás. Vale salientar que o déficit de mão de obra para a TE não é um problema exclusivamente brasileiro. A União Europeia e os EUA, por exemplo, também convivem com essa questão. Mas isso gera um problema adicional ao Brasil, pois outros países remuneram melhor a mão de obra de alto nível. Essa mão de obra é captada muitas vezes quando estudantes brasileiros realizam capacitação no exterior em mestrado e doutorado, com baixos valores de bolsas pagas no Brasil. Uma bolsa para doutoramento da Capes/ CNPq é de R$ 3.100,00 mensal, enquanto nos EUA há várias oportunidades de bolsas. Como exemplo, as oferecidas pela Fulbright para doutoramento variam de US$ 2.800 a US$ 4.300 mensais. Qual a perspectiva de evolução da demanda? O Governo Federal, em 2023, apresentou ao Colégio de Reitores diversos projetos que iriam compor o Novo PAC, enfatizando a necessidade de formação de pessoal para sustentar tais ações. Em 2024, com o Novo PAC elaborado, foi informado que o montante de investimento para a TE será de R$ 417,5 bilhões aportados no período de 2023 a 2026. Ainda em 2023, o Ministério de Minas e Energia recomendou às Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) que trabalhem na revisão curricular, no desenho de novas disciplinas e na oferta de novos cursos. Sabe-se, entretanto, que as Ifes, em geral, vêm convivendo com um cenário de penúria de recursos financeiros para manter seu funcionamento. Continue lendo esse artigo em: energia/carencia-de-massa-criticaqualificada-para-a-transicaoenergetica

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