10 Brasil Energia, nº 498, 25 de setembro de 2025 entrevista Marisete Pereira expressiva das fontes intermitentes ou fontes não despacháveis, a matriz está precisando de recursos firmes. Vou colocar diferente: será que as hidrelétricas são competitivas em relação às usinas a carvão e a gás? Se tivermos um planejamento equilibrado, toda e qualquer fonte é importante. Mas o que é mais importante é que as fontes possam competir em igualdade de condições, sem subsídios. O que hoje traz muita distorção é uma competição sem igualdade de condições. Por exemplo, as hidrelétricas desempenham um papel fundamental no atendimento à ponta de carga graças à sua capacidade de geração rápida e flexível, que é o que as fontes intermitentes não têm. Mas hidrelétricas não têm subsídios. Ao contrário, pagam royalties e a outorga pelo uso do bem público. Essa competição tem que ter igualdade de condições. Mesmo assim, a gente acredita que as hidrelétricas serão bastante competitivas nesse leilão em relação às usinas a carvão e a gás. Já se configura um cenário de disputa entre BESS e usinas reversíveis. Há pleito da Abrage para que as reversíveis entrem no próximo leilão de armazenamento junto com as baterias? Sim, a gente tem trabalhado bastante para a inserção dessa tecnologia na matriz. As reversíveis podem contribuir para a flexibilidade do sistema ao possibilitar o armazenamento de energia nos momentos de baixa demanda e liberar quando a demanda é elevada. E a tecnologia de armazenamento é muito necessária nesse momento de sobreoferta de energia. A Abrage tem atuado junto ao Ministério, promovendo seminários e outros eventos e também tem colaborado nas consultas públicas realizadas pela Aneel para inserir essa tecnologia no sistema brasileiro. Essa é uma tecnologia já utilizada por outros países por quase um século. E vem se expandindo. Há atualmente cerca de 190 GW em capacidade instalada no mundo, utilizando essa tecnologia, e até 2030 serão instalados mais de 90 GW. O Brasil precisará de diferentes soluções de armazenamento para garantir a segurança do fornecimento de energia no futuro. Baterias e sistemas de armazenamento hidráulico são tecnologias complementares e podem ser implementadas no sistema. Ambas as tecnologias são necessárias para o enfrentamento do curtailment. Com reversíveis e novos projetos hidrelétricos, a senhora acredita que o Brasil possa voltar a ser um hub mundial de desenvolvimento tecnológico da geração hidrelétrica? Acredito que sim, até porque a gente dispõe de 12% da água doce do planeta. A Abrage entende que a hidreletricidade foi e continua sendo a fonte de geração de energia elétrica mais importante para o sistema elétrico brasileiro. Ou seja, o pilar da segurança energética e da manutenção da renovabilidade da matriz. Ela foi base para a sustentação dessa expansão de outras fontes renováveis, como a solar e a eólica, ao oferecerem flexibilidade, armazenamento e confiabilidade ao sistema. Temos mapeados 7 GW em ampliações além de 11 GW de aumento de capacidade em repotenciações das unidades geradoras. Temos 38 GW em cenário bastante conservador de armazenamento hidráulico, con-
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