e-revista Brasil Energia 498

Brasil Energia, nº 498, 25 de setembro de 2025 33 Com ampla oferta de energia firme e renovável, o Mato Grosso do Sul entrou na disputa pela atração de projetos de data centers. O estado já conseguiu atrair pelo menos um projeto de mineração de bitcoin, da Tether, que deverá utilizar energia elétrica produzida a partir de biomassa, segundo o secretário Jaime Verruck. O projeto deverá demandar 12 MW, que deverão ser atendidos por duas usinas da Adecoagro localizadas nos municípios de Ivinhema e Angélica. Duas usinas a biomassa campeãs O salto na capacidade de geração de energia a partir da biomassa no Mato Grosso do Sul foi proporcionado pela entrada em operação de duas usinas térmicas neste ano. A Inpasa, fabricante de etanol de milho, iniciou a operação de uma usina em Sidrolândia, com 53,1 MW de capacidade, que utiliza resíduos florestais para produzir energia. A fabricante de papel e celulose Suzano, por sua vez, colocou em operação em Ribas do Rio Pardo uma unidade de 384 MW movida a licor negro, um resíduo líquido resultante do cozimento da madeira. O Governo do Mato Grosso do Sul lista 24 usinas que geram bioeletricidade a partir do bagaço e da palha da cana e, segundo o secretário Jaime Verruck, esse segmento está praticamente consolidado. Já a indústria de papel e celulose deverá continuar, pelo menos nos curto e médio prazos, a ampliar a geração de energia. A fabricante de papel e celulose Arauco, por exemplo, está implantando um projeto em Inocência, que contará com uma usina com capacidade para produzir 400 MW, dos quais metade será para consumo próprio e a outra metade deverá ser injetada na rede. Gargalos na transmissão e distribuição Com energia firme e renovável de sobra, o Mato Grosso do Sul vem esbarrando no déficit de infraestrutura de transmissão e distribuição de energia para realizar o escoamento da eletricidade produzida. O secretário Verruck diz que, por conta disso, algumas empresas têm até investido em redes para viabilizar os projetos de geração. Ele cita o caso da Arauco, obrigada a construir uma linha de transmissão entre o município de Inocência e uma subestação em Ilha Solteira (SP), com 92 km, sem a qual não conseguiria exportar o excedente de energia para o sistema elétrico. O déficit em linhas de distribuição e transmissão também vem afetando o desenvolvimento do agronegócio. “Temos projetos do Programa MS Irriga que estão sendo tocados com energia produzida por geradores a diesel devido ao gargalo nas redes”. n Quem é fonte nesta matéria JAIME VERRUCK, secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do MS Esta matéria é parte integrante da Série Especial “Termelétricas e Segurança Energética”, produzida pela Brasil Energia com o apoio de

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