Brasil Energia, nº 498, 25 de setembro de 2025 43 Bruna de Souza Moraes é pesquisadora e coordenadora do Nipe/Unicamp, engenheira de Alimentos, mestre e doutora em Ciências da Engenharia. Escreve na Brasil Energia a cada três meses. Bruna de Souza Moraes Tecnologias estão transformando o setor de RSU Aplicativos com IOT, plataformas que localizam pontos de coleta, caminhões monitorados por satélite e blockchain já estão sendo usados em SP para tornar a coleta e disposição dos Resíduos Sólidos Urbanos mais eficientes e menos custosas A taxa de reaproveitamento de RSU – Resíduos Sólidos Urbanos no Brasil ainda é muito baixa, o que não é novidade. Dos mais de 80 milhões de toneladas geradas anualmente, menos de 4% são reciclados, enquanto a maior parte segue para aterros, muitas vezes sem rastreabilidade. A boa nova é que exemplos de tecnologias inovadoras no setor vem transformando este cenário e abrindo horizontes para soluções mais modernas, econômicas e sustentáveis. A digitalização é a base dessa transformação: plataformas capazes de integrar todo o ciclo do resíduo – da geração ao destino final – permitem que gestores públicos e privados tenham acesso a dados em tempo real. O Smart Campus da Unicamp é um bom exemplo deste conceito. O objetivo tem sido aplicar a Internet das Coisas (IoT) para gerar dados que apoiam ações mais assertivas, aumentando a eficiência dos serviços em prol da comunidade universitária. O sensoriamento em contêineres de resíduos para monitorar o nível de enchimento e sistemas de rastreamento via GPS para acompanhamento de rotas de coleta são projetos em desenvolvimento que visam a otimização logística e eficiência operacional. Na cidade de São Paulo, as concessionárias também já aplicam a roteirização da coleta de resíduos com caminhões monitorados via satélite e online, permitindo rastrear rotas, evitar desvios e garantir pontualidade dos serviços. Outro bom exemplo é a plataforma digital EcoMapa (https://shre.ink/EcoMapa-Cetesb) criada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que permite ao cidadão consultar os pontos de coleta de resíduos sujeitos à logística reversa no estado, como pneus, baterias, eletrônicos e cápsulas de café. Esta plataforma é complementar ao Painel Dinâmico de Logística Reversa, divulgado pela agência em 2024, sendo o primeiro painel interativo online do país que permite a visualização de pontos de coleta e gestão reversa de ativos no estado, com foco em transparência e monitoramento público. Já o aplicativo Cataki, lançado em 2017, foi o pioneiro em integrar a logística reversa à economia solidária, dando visibilidade e fortalecendo o trabalho de catadores e cooperativas. Conhecido como o “tinder da reciclagem”, o aplicativo conecta, por geolocalização, catadores e cooperativas de recicláveis a geradores de resíduos, permitindo agendamento de coleta diretamente pelo app. A partir de então, novas soluções digitais para RSU foram evoluindo, visando atuar em maior escala com foco em empresas, prefeituras e compliance regulatório. Continue lendo esse artigo em: energia/tecnologias-estaotransformando-o-setor-de-rsu
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