e-revista Brasil Energia 498

Brasil Energia, nº 498, 25 de setembro de 2025 45 O conhecimento técnico das redes de distribuição está mais concentrado nas empresas terceirizadas do que nas concessionárias, afirma Alexandre Marques, consultor especialista no tema nesta conversa com a Brasil Energia. Segundo ele, a contratação de terceiros especializados é uma ferramenta estratégica para o setor, mas essa profissionalização esbarra em dois desafios: a gestão inadequada e contratos mal elaborados, que resultam em precificação inadequada. Marques destaca que o chamado outsourcing ganhou grande impulso entre 2003 e 2014, quando o número de profissionais próprios das distribuidoras, segundo ele, caiu da média de 71% para 42%, percentual que teria se mantido nos últimos anos. Apesar da evolução positiva, a relação entre concessionárias e suas parceiras precisa ser melhorada. O consultor ressalva que a solução não é reverter o processo, mas gerenciá-lo de forma mais inteligente, mantendo parcerias com empresas que possuem o conhecimento técnico específico. Ele traz dois dados que ilustram um cenário que precisa ser corrigido: segurança do trabalho no setor e diferença salarial. No primeiro caso, Marques explica que 84,6% das mortes ocorrem entre os trabalhadores terceirizados. “Isso sugere que os investimentos em segurança e treinamento para essa força de trabalho podem melhorar”. “Obviamente, esse número também está relacionado à proporcionalidade da força de trabalho terceirizada nas operações”, analisa. Segundo ele, em contextos de maior primarização, ou seja, quando as atividades passam a ser executadas majoritariamente por empregados próprios, é comum que esses indicadores se revertam. “Isso reflete a mudança na composição da mão de obra e, muitas vezes, um controle direto sobre as práticas de segurança”. Sobre a remuneração diferenciada, Marques avalia que os terceirizados, em média, recebem 4,5% a menos do que funcionários contratados pelas concessionárias. “Este diferencial é atribuído a uma metodologia contratual que não valoriza adequadamente a qualidade da mão de obra”, explica. Com a renovação das concessões de distribuição, o especialista acredita que é o momento de o setor mudar esse relacionamento. As mudanças devem começar pela metodologia contratual, valorizando a qualidade sobre o custo imediato. Empresas que investem em treinamento, equipamentos de segurança e melhores condições trabalhistas devem ser valorizadas no processo de seleção e não penalizadas. CPFL e Neoenergia como exemplos “Os novos contratos devem focar em critérios de avaliação multidimensionais, que considerem não apenas o preço, mas também a qualidade técnica, experiência, condições trabalhistas e sustentabilidade financeira das empresas terceirizadas”, detalha. Em relação à gestão, o consultor avalia que é importante sofisticar esse processo para ter resultados superiores. A

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