e-revista Brasil Energia 498

Brasil Energia, nº 498, 25 de setembro de 2025 55 Segundo os especialistas, como a demanda dos data centers é de energia 24x7, as fontes solar e eólica – mesmo combinadas com soluções de armazenamento – só dariam conta de 80% do consumo. Ou seja, seria necessária uma opção de base para aumentar a confiabilidade do fornecimento. Candidatas naturais, as alternativas térmicas podem trazer alguns complicadores. Uma análise preliminar indica que, se 60% do aumento de demanda de energia dos data centers fosse abastecido por esse tipo de geração, haveria também um aumento equivalente a 0,6% das emissões globais de energia. A opção preferida de base seria a nuclear, que tem baixas emissões de CO2, embora seus resíduos, inclusive a água de reuso, precisem ser gerenciados com cuidado. O movimento das big techs como Amazon e Google mostra que se espera uma contratação de 14 GWh por parte delas, nos Estados Unidos, até 2040. Este é um número superlativo para qualquer país, mas não tanto para os EUA, maior produtor mundial de geração nuclear, onde os cerca de 100 reatores nucleares do país produziram 779 TWh em 2023, último dado disponível da WNA – World Nuclear Association, representando 19% da produção elétrica total. O atendimento das gigantes de tecnologia viria de acordos com usinas existentes e da construção de pequenos reatores modulares (SMR). Em conversa com a Brasil Energia, Celso Cunha, presidente da Associação Brasileira para Desenvolvimento das Atividades Nucleares (Abdan), explica que a sinergia entre data centers e geração nuclear faz muito sentido. Ele também destaca que os SMRs (Small Modular Reactors)* aparecem como uma solução não só para esse mercado, como para todo o país. “Os data centers exigem energia ininterrupta e com alta confiabilidade, ou seja, Energia da usina Three Mile Island, na Pensilvânia (EUA), será contratada para abastecer data centers da Microsoft Foto: Divulgação

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