Brasil Energia, nº 498, 25 de setembro de 2025 57 mo siderúrgicas (produção de aço verde) e mineração de grande porte, que têm alto consumo de energia. “Há uma possibilidade real de adaptar usinas térmicas a carvão existentes para hospedar SMRs, como estudado pela Diamante em Santa Catarina”, revela o presidente da Abdan. (N.R. Ver matéria publicada na Brasil Energia) O Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2034 prevê, por exemplo, a construção de quatro novas usinas de 1 GW no Sudeste do Brasil. No total, há uma sinalização para a adição de aproximadamente 12 GW em novas usinas nucleares, indicando um amplo espaço para o crescimento dessa fonte na matriz, segundo Cunha. “Essa expansão é crucial para a descarbonização e para atender à necessidade de energia de base em um sistema elétrico que enfrenta desafios com o crescimento acelerado de fontes intermitentes, como a solar e a eólica”, argumenta. Os recursos naturais contam a favor do Brasil, que oscila entre ter a sexta ou sétima maior reserva de urânio do mundo, dependendo dos estudos de prospecção mineral. O país também possui um ciclo completo de combustível nuclear. A produção tradicional de urânio, em Minas Gerais, vai ser complementada pelo projeto de Santa Quitéria, no Ceará, onde está a maior mina do minério do país. Ambas contribuem para a viabilidade econômica do ciclo do combustível nuclear. Entre os destaques estão o projeto Iperó, que deverá iniciar a produção industrial de hexafluoreto de urânio (uma das fases para fabricar combustível) no final de 2026. Na área de tecnologias avançadas estão a possível experiência de SMRs da Diamante em Santa Catarina, ao lado de iniciativas de aplicação na medicina, com projeto de reator multipropósito em conjunto com a Argentina. A propulsão nuclear, com a construção do primeiro submarino nuclear, é outro exemplo. De acordo com Cunha, o Brasil está avançando na área regulatória, com a energia nuclear fazendo parte do programa de hidrogênio, da discussão de taxonomia verde do Ministério da Fazenda e do plano climático. O presidente da Abdan, no entanto, destaca o desconhecimento sobre o tema, embora existam mais de 86 projetos de lei focados apenas em renováveis tramitando no Congresso Nacional. “Há um esforço para levar informações corretas aos parlamentares e aos formadores de opinião”, argumenta. “A discussão sobre a energia nuclear no Brasil, especialmente em relação a Angra 3, é radicalmente política e não técnica”, carecendo de racionalidade e uma visão real”, finaliza. n Quem é fonte nesta matéria CELSO CUNHA, presidente da Abdan Esta matéria é parte integrante da Série Especial “Novos Modelos e Tecnologias em Energia”, produzida pela Brasil Energia com o apoio de
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