Brasil Energia, nº 498, 25 de setembro de 2025 67 linhas de crédito para aquisição de caminhões 100% GNV; transformação veicular; instalação kit Diesel Dual Fuel (DDF); instalação de postos de GNV de alta vazão e de estações de abastecimento intramuros de alta vazão para frotistas. No Rio Grande do Sul, a Sulgás distribui 126,5 mil m3/dia de GNV para 98 postos, dos quais 14 estão em posições estratégicas para o atendimento à frota de veículos pesados dentro dos Corredores Verdes, que envolvem as principais rotas de escoamento rodoviário de produtos e produção do RS. A distribuidora também trabalha junto ao Governo do Estado e à Assembleia Legislativa a favor de um projeto de lei que contemple incentivo ao uso de veículos pesados movidos a GNV/Biometano, por meio da redução da alíquota do IPVA. Outra iniciativa é a viabilidade do abastecimento em garagem da frota de caminhões movidos à GN da Reiter Log, fornecendo o combustível em antecipação à chegada da rede. A estagnação dos veículos leves O mercado de GNV floresceu onde havia gás canalizado para suprir os postos. A infraestrutura expandiu-se no início dos anos 1990 para atender a frota de veículos leves que investiu na conversão de motores a combustível líquido para gás natural. Depois, estagnou. Gabriel Kropsch, diretor do Comitê Nacional do GNV – que congrega Firjan, Senai, Sindirepa, Sindicomb, RJPostos, Abiogás e outras entidades do setor –, explica que o segmento congelou após expandir-se ininterruptamente por 10 a 15 anos. Ficou restrito aos veículos que rodavam mais de 100 quilômetros diários e concentrou a infraestrutura nas cidades de maior porte. Hildo Braga, presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos do Município do Rio de Janeiro (STAMRJ), confirma que o GNV sempre foi vantajoso para quem roda muitas horas diárias. Mas um conjunto de fatores, como a alta no preço por metro cúbico, a redução de postos de abastecimento e a instabilidade na política de preços, diminuíram essa vantagem. “Hoje ainda pode valer a pena converter o veículo para quem roda grandes distâncias diariamente. Mas para trajetos curtos ou baixa quilometragem, o custo-benefício já não é o mesmo”, avalia Braga. Kropsch reforça essa análise com dados concretos: o retorno do investimento na instalação do kit gás em veículos leves saltou de 3-4 meses no passado para mais de 12 meses atualmente, mesmo para carros de alta rodagem. Por isso, a participação do GNV manteve-se limitada a 2% do mercado de transportes. Mas ele ressalta que uma combinação de acontecimentos está impulsionando a retomada do mercado de GNV: a modificação da composição acionária das distribuidoras, com a saída da Petrobras da maior parte delas, a aposta das montadoras de veículos pesados e a retomada de investimentos em infraestrutura. E nas localidades sem gás canalizado, o biometano surge como alternativa viável. Já são quase 40 usinas de produção de biometano registradas na ANP, muitas em estados não supridos por gasoduto, e outro tanto aguardando a aprovação da agência para ingressar com produção comercial. Para Kropsch, o biometano permitirá o escoamento da produção agrícola para os portos por meio de caminhões movidos a gás, criando uma nova dinâmica logística para o agronegócio brasileiro.
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