e-revista Brasil Energia 498

Brasil Energia, nº 498, 25 de setembro de 2025 69 O consumo médio anual de gás natural – sem incluir o setor termelétrico – vem em queda desde 2022. A que a Abegás atribui esse comportamento do mercado? Questões geopolíticas como a Guerra da Ucrânia, que aumentaram o preço da molécula de gás natural a nível global, são alguns dos fatores que ajudam a explicar a redução no volume total de gás natural em um mercado que é muito competitivo com outros combustíveis e fontes de energia – muitas vezes subsidiados. Além disso, com a pandemia e a adoção de trabalho remoto integral e/ou parcial, o GNV sentiu esses efeitos. A infraestrutura reduzida, com gasodutos restritos à costa do país, também não atrapalha o crescimento do consumo? A infraestrutura de GNV no Brasil é bastante relevante, com aproximadamente 1700 postos de combustíveis, número acima do existente nos Estados Unidos, por exemplo. E as distribuidoras seguem investindo para ampliar esse número. Em algumas concessões, o mercado de GNV é bastante relevante. Hoje, na CEG-Rio, por exemplo, o volume de consumo automotivo é o dobro do industrial – o Rio é um bom exemplo de como políticas públicas corretas, como isenção integral ou parcial de IPVA, podem fomentar o uso de GNV. Em termos de volume, excetuando o térmico, o segmento automotivo é o segundo para as distribuidoras e pode ser ainda maior, na medida que cresce o número de caminhões abastecidos a gás natural e biometano. De acordo com dados da Secretaria Nacional de Trânsito, órgão do Ministério dos Transportes, o número de caminhões licenciados a gás natural passou de 731 veículos em 2022 para 2.196 unidades em abril de 2025, e o número de postos de alta vazão saltou de 40 unidades em 2023 para 121 em 2025, conforme dados compilados pelas concessionárias associadas à Abegás. A estimativa é que, até o final de 2025, mais 45 postos terão infraestrutura para abastecer caminhões com rapidez nos grandes centros e principais rodovias. Essa é uma tendência que, desta vez, veio para ficar? O mercado de gás natural tem muito potencial para crescimento. Em 2024, os segmentos residencial e comercial tiveram crescimento de volume de 1,4% e 2,4%, respectivamente, na comparação com 2023. A Abegás vem trabalhando institucionalmente para aumentar a competitividade do gás natural, em processos importantes para o setor e para estimular, no poder público, a criação de políticas públicas que fomentem o uso de gás natural, especialmente no setor automotivo, em que há um elevado potencial de descarbonização, economia com combustível e geração de empregos. Qual, então, é o principal entrave para a expansão do uso do GNV no Brasil? O GNV, ao longo dos últimos 20 anos, sofreu com muita intervenção nos preços de combustíveis concorrentes, afetando a percepção de competitividade. No nosso entendimento, o GNV é o combustível da transição energética, uma vez que a mesma tecnologia automotiva permite o uso de

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