70 Brasil Energia, nº 498, 25 de setembro de 2025 GNV GNV, de biometano ou da mistura. E o GNV ajuda a melhorar a qualidade do ar nas cidades, com redução a praticamente zero de materiais particulados. Então, é importante que tenhamos políticas públicas que incentivem a mudança de veículos de combustíveis mais poluentes para o GNV. O futuro do mercado está nos veículos pesados? Acreditamos que os benefícios do gás natural são úteis para veículos leves e pesados. Entretanto, a curva de crescimento de frota pesada tende a ser maior nos próximos anos, uma vez que era um potencial represado e o próprio mercado corporativo vem demandando de empresas e operadores logísticos soluções que promovam a redução da pegada de carbono – e os caminhões a GNV-Biometano se apresentam como boas opções em situações de renovação de frota. No caso dos ônibus, a possível adoção de ônibus a gás em São Paulo, aberta pela sanção de uma lei municipal que abre espaço para essa rota tecnológica na maior capital do País, pode representar um marco que vai inspirar outros projetos. Que papel deve ter o biometano na expansão desse mercado de GNV? O biometano é fungível com o gás natural e o Decreto nº 10.712/2021 estabelece que, para todos os fins, o biometano e outros gases intercambiáveis com o gás natural terão tratamento regulatório equivalente ao GN, desde que atendidas as especificações estabelecidas pela ANP. Desse modo, a integração entre gás natural e biometano é sinérgica — vale citar que no Ceará cerca de 15% do gás canalizado distribuído já é de biometano. Ou seja, a integração, que tende a ganhar um impulso em 2026 com o começo da Lei do Combustível do Futuro, a depender da regulamentação ainda não anunciada, pode viabilizar novos investimentos das distribuidoras onde existem usinas de biometano, conectando essas plantas à rede de gás canalizado. Também pode representar uma alavanca para impulsionar as frotas pesadas, com caminhões circulando com biometano no sentido interior-capital e com gás natural na direção inversa. E a integração tem potencial de aumentar o interesse de grandes indústrias cuja agenda ESG impõe a substituição de diesel por outros combustíveis que proporcionem redução de pegada de carbono, uma vez que o setor de transporte rodoviário é considerado hard-to-electrify. n O GNV no setor rodoviário, considerado hardto-electrify, é uma boa opção para as empresas com agenda ESG
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