36 Brasil Energia, nº 499, 27 de outubro de 2025 entrevista Pablo Campana nos (em relação a impostos e tarifas de exportação) - para que o custo final seja atrativo. A Pluspetrol opera campos importantes em Vaca Muerta, como La Calera, que produz líquidos além de gás natural, ao contrário de outros reservatórios na mesma província que produz apenas gás. Isso permite um preço na boca do poço mais competitivo. A estratégia da empresa é mirar nesse campo para a exportação de gás? La Calera é um dos nossos campos mais competitivos em Vaca Muerta, mas temos outros campos, entre os quais se destaca Bajo del Choique-La Invernada, que é um campo de petróleo que tem potencial significativo para produção de gás natural associado. Isso faz nosso break even ser muito baixo e essa combinação nos permite ter um suprimento de gás competitivo, confiavel e flexível, que é o ideal para planejar e sustentar projetos de exportação de longo prazo para o Brasil. A Argentina ainda não é autossuficiente na produção de gás para seu consumo, ao longo de todo o ano. Normalmente importa no período do inverno, de maior demanda. Mas a produção em Vaca Muerta está escalando rapidamente. Quando, na visão da Pluspetrol, a Argentina terá de fato um excedente de gás que justifique contratos firmes e se torne uma grande exportadora? A Argentina já exporta gás firme para o Chile, mesmo importando no inverno. Exportar não significa ter importação zero. De qualquer forma, a importação de GNL na Argentina será bastante reduzida com a conclusão de projetos de infraestrutura na Argentina, como a ampliação da capacidade do gasoduto Perito Moreno, e a reversão e expansão do Gasoduto do Norte. Nossa projeção é que o modelo de fornecimento firme e em volumes significativos para o Brasil, com a infraestrutura necessária, poderia ser consolidada a partir do final de 2028 ou 2029. É possível solucionar todos esses gargalos em quatro anos? Tudo isso é um típico projeto de negociação e de múltiplas partes, mas eu vejo racionalidade e boa disposição no mercado. Por exemplo, a Pluspetrol liderou o desenvolvimento de Camisea, no Peru. Quando o Consórcio Camisea, liderado pela Pluspetrol, licitou o projeto no ano 2000, não havia dutos, distribuidoras nem consumo de gás. Em apenas quatro anos (2004), os poços foram perfurados, uma planta isolada foi construída no meio da selva e outra na costa, e também dois dutos (gás e líquidos) que atravessaram a selva e a Cordilheira dos Andes para chegar à costa, abastecendo o mercado peruano, inclusive o térmico. Essa experiência demonstra que projetos complexos, que exigem coordenação entre produtores, transportadores, demanda e governos, podem ser executados em tempo recorde quando há o alinhamento de todos os atores. n
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=