Brasil Energia, nº 499, 27 de outubro de 2025 37 Bruno Armbrust é pesquisador associado da FGV Ceri e é sócio fundador da ARM Consultoria. Escreve mensalmente na Brasil Energia Bruno Armbrust Baixar tarifas agora. Expansão da rede planejada depois Em um momento de retração da demanda e desafios econômicos para a indústria, apostar em mais dutos sem garantir gás mais barato é um erro estratégico. E um erro que o Brasil não pode mais se dar ao luxo de cometer Ao longo dos últimos 15 anos, o Brasil ficou praticamente estagnado na construção de novas infraestruturas relevantes para o transporte de gás natural. No mesmo período, a demanda pelo insumo não cresceu, pelo contrário, depois de alcançar seu pico em 2015, a demanda de gás vem minguando ano a ano. Nesse período, enquanto o consumo de gás no Brasil apresentava uma forte retração, de cerca de 50%, regredindo aos níveis de 20 anos atrás, o mercado global de gás cresceu cerca de 70%. O consumo atual no mercado convencional brasileiro apresenta uma retração de cerca de 18% em relação às máximas históricas, uma diferença próxima dos 10 milhões de m3/dia. Os maiores impactos foram na indústria e uso veicular. A cogeração a gás natural, que já teve papel relevante, representa hoje menos de 3% da demanda nacional, frente a até 20% em países onde se verifica a prática de estímulos a projetos de eficiência energética. Os únicos segmentos que registraram crescimento sustentado nas últimas duas décadas foram o residencial e o pequeno comércio, que passaram de menos de 2% para mais de 5% da demanda nacional de gás natural. No caso da geração, a quase totalidade dos recentes projetos de UTEs a gás foi viabilizada fora da rede de gasodutos, por meio de modelos tipo Gas-to-Power, em que a usina é conectada diretamente a terminais de GNL. Mais de 60% da geração termelétrica a gás já ocorre fora da malha de transporte, o que demonstra uma mudança estrutural no modelo de atendimento à demanda elétrica que requer uma flexibilidade, que o GNL pode oferecer. Parece óbvio que o país precisa de gás competitivo para expandir sua demanda e atrair novos consumidores e investimentos. Investimentos que se comprovem estritamente necessários para a manutenção das operações no próximo quinquênio podem ser avaliados no âmbito da revisão das tarifas, mas a efetiva expansão da malha de gasodutos de transporte só se viabilizará com o aumento da demanda. Diante desse cenário, é legítimo questionar: precisamos, agora, de mais investimentos no transporte, conforme proposto pelas empresas transportadoras de gás à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)? Ou, antes disso, a prioridade deveria ser a redução das tarifas de transporte? Acredito que os fatos e dados sejam incontestáveis. O país precisa de gás competitivo para expandir sua demanda convencional e atrair novos consumidores e investimentos para reverter esse quadro. Continue lendo esse artigo em: /energia/baixar-tarifas-agora-expansaoda-rede-planejada-depois
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