40 Brasil Energia, nº 499, 27 de outubro de 2025 hidrelétricas No campo geopolítico, o texto cita o especialista Ian Bremmer, fundador do Eurasia Group, para dizer que o protecionismo isolacionista dos Estados Unidos deixa um vácuo de poder no Ocidente para liderar a transição e ainda semeia insegurança via “pressões econômicas e financeiras, ameaças à segurança, e interferências políticas”. Negacionista das mudanças climáticas, o presidente norte-americano, Donald Trump, aposta no incentivo à indústria doméstica usando energia fóssil barata. Paralelamente, os países europeus, que saíram na frente do combate às mudanças usando pesados subsídios para o desenvolvimento das energias renováveis intermitentes, começam a perceber que o simples barateamento da geração dessas fontes não foi suficiente para baratear as contas de luz, muito pelo contrário. Pressionados pelos investimentos necessários a dar segurança energética à variabilidade dessas fontes renováveis, esses países veem as contas de luz dos seus residentes irem às alturas. “No jargão do setor de energia, o LCOE (“Levelized Cost of Energy”) real das renováveis era muito maior do que o LCOE simplista, baseado no custo de investimento e na produção de energia, sem enxergar as externalidades negativas”, diz o editorial. Para a PSR, “o Brasil deve desenvolver uma estratégia que alinhe os objetivos econômicos e climáticos e que seja resiliente contra disrupções no suprimento de insumos para setores críticos, como os fertilizantes para o agrobusiness”. Por este caminho, o país se tornaria um dos electro states, dos quais a China é o primeiro país, em oposição aos petro states, liderados pelos Estados Unidos. O editorial diz que, embora aparentemente o Brasil já esteja a caminho de se tornar um electro state, esta sensação é ilusória, à medida que a maior parte dos 78 GW de expansão da oferta dos últimos cinco anos se deu por fontes renováveis subsidiadas a partir de ações do Legislativo, gerando um desequilíbrio que se traduz no desbalanceamento entre oferta e demanda do qual o curtailment é a face mais visível. Para a consultoria, “a necessidade de recursos para adaptação em função do aumento de eventos extremos (cheias, secas e temperatura) que assolaram – e assolarão – o país torna ainda mais urgente uma mudança de mentalidade, onde o foco deve ser unicamente em tecnologias limpas que não requerem subsídios e, por esta razão, são conhecidas como green bonus”. É neste contexto que se enquadram a geração solar flutuante nos reservatórios e as hidrelétricas reversíveis. A PSR estima que existe um potencial técnico-econômico entre 17 e 25 GW para instalação de painéis solares nos reservatórios das hidrelétricas, já considerando aspectos como a capacidade operacional das subestações dessas hídricas e o deslocamento de geração dessas usinas nos horários de pico da geração solar. n
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